martedì 28 ottobre 2014

Síntese de “A epistemologia de Tomaz Kuhn”[1]



Síntese de “A epistemologia de Tomaz Kuhn”[1]
A obra de Tomas Kuhn e um marco importante no desenvolvimento da ciência com a obra a estrutura das revoluções científicas (1662). Kuhn faz no seu trabalho uma critica ao positivismo e a historiografia tradicional. Ela acredita que a ciência é antecedida por teorias e, portanto, não neutras.  Ele acredita que as ciências são desenvolvidas a partir de períodos de “ciência normal”, nos quais os pesquisadores aderem a um paradigma que é interrompido por revoluções científicas que é causada pelos casos extraordinários.
Paradigma é o termo mais importante na obra de Kuhn. Tal termo tem dois sentidos um geral e outro restrito. O primeiro designa uma série de compromissos que o pesquisador tem com a comunidade científica. A este sentido Kuhn aplicou a expressão “matriz disciplinar”. Seus principais componentes são: generalizações simbólicas: assemelham-se as leis da natureza; modelos particulares: são modelos ontológicos ou heurísticos que fornecem as metáforas e as analogias necessárias; Modelos compartilhados: são valores aos quais os cientistas aderem; exemplares: são a solução de problemas, ao quais tem o poder de acessar novos conhecimentos os quais não são propriamente encontrados pelos problemas, mas simplesmente, dados pelos problemas.
A ciência normal é a tentativa de encaixar o problema dentro dos limites preestabelecidos e relativamente inflexíveis fornecidos pelos paradigmas.  A ciência normal restringe drasticamente a visão do cientista para que o cientista desenvolva a sua capacidade de resolver os problemas levantados. Assim ao adquirir um paradigma, adquire um critério para descobri-lo.A ciência normal é concebida como dogmática e, por isso mesmo, diz Kuhn, é que a ciência pode avançar. Para Kuhn a ciência normal se divide em três tipos: determinação do fato significativo: com a existência de paradigmas fatos precisam de determinações mais precisas; harmonizações dos fatos com as teorias: esta atividade consiste da manipulação de teorias levando a predições que possam ser confrontadas diretamente com a experiência e do desenvolvimento de equipamentos para a verificação de predições teóricas; articulação da teoria: “consiste num trabalho empreendido para articular a teoria do paradigma, resolvendo algumas de suas ambiguidades e permitindo a solução de problemas até então não resolvidos”.
A grande revolução científica está na mudança de concepção  quantos o seu problema não pode ser identificados unicamente como anomalias mas sim como quebra cabeças que precisam serrem originariamente organizadas. E aqui está o papel da ciência normal segundo Kuhn a de fazer uma precisa integração entre a observação e a teoria. Quantos maiores forem à precisão tanto maior será a mudança de um paradigma.
Só surgiram novas teorias quando existirem período de inseguranças profissionais, e tais novas teorias surgem somente apos o fracasso de uma atividade normal, surgindo um a duas décadas depois desse fracasso.
Será uma revolução científica quando houve uma reconstrução das áreas de estudos apartir de novos princípios e nunca como um processo cumulativo obtido através de uma articulação do relho paradigma.
A incomensurabilidade de paradigmas dita por Kuhn está relacionada ao fato de que padrões científicos e definições são diferentes para cada paradigma.
Em resumo o desenvolvimento científico não pode ser comparado adesão de tijolos em uma construção não é através de uma serie de descobertas invenções individuais que se tem o conhecimento científico mais de acordo com o modelo Kuhniano a ciência se desenvolve apartir de uma ciência normal que desembocará em uma revolução científica.

José Clebson Marçal Pereira
João Raniery Elias da silva
Josué Laurindo da Silva 


[1] Thomas Samuel Kuhn (Cincinnati, 18 de Julho 1922 — Cambridge, 17 de Junho 1996) foi um físico e filósofo da ciência estadunidense. Seu trabalho incidiu sobre história da ciência e filosofia da ciência, tornando-se um marco no estudo do processo que leva ao desenvolvimento científico.
Biografia
Thomas Kuhn nasceu em 18 de Julho de 1922, em Cincinnati, em Ohio, Estados Unidos. Formou-se em física (summa cum laude) em 1943, pela Universidade de Harvard. Recebeu desta mesma instituição o grau de Mestre em 1946 e o grau de Doutor em 1949, ambos na área de Física. Após ter concluído o doutorado, Kuhn tornou-se professor em Harvard. Lecionou uma disciplina de Ciências para alunos de Ciências Humanas. A estrutura desta disciplina baseava-se nos casos mais famosos da história da ciência, pelo que Kuhn foi obrigado a familiarizar-se com este tema. Este fato foi determinante para o desenvolvimento da sua obra. Em 1956 Kuhn foi leccionar História da ciência na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Tornou-se professor efectivo desta instituição em 1961. Em 1964 tomou a posição de Professor M. Taylor Pyne de Filosofia e História das Ciências, na Universidade de Princeton. Em 1971 Kuhn foi leccionar para o MIT, onde permaneceu até terminar a sua carreira acadêmica. Kuhn morreu em 17 de Junho de 1996, vítima de cancro (câncer).
Obra
Seu primeiro livro foi A Revolução Copernicana, publicado em 1957. Mas foi em 1962, com a publicação do livro Estrutura das Revoluções Científicas que Kuhn se tornou conhecido não mais como um físico, mas como um intelectual voltado para a história e a filosofia da ciencia. Em uma entrevista cedida à filosofa italiana Giovanna Borradori, no ano de 1965, em Londres, Thomas Kuhn explica sinteticamente seu percurso acadêmico até a construção deste texto, que se tornaria o referencial de discussão entre os filósofos da ciência. Sua carreira inicia-se como físico e, até a defesa de sua tese de doutorado, tinha tido poucos contatos com a filosofia. Sua justificativa para este pouco contato com a filosofia é fundada principalmente na ocorrência da Segunda Guerra Mundial, pois havia, segundo ele, uma enorme pressão para empreender carreiras científicas e um grande desprezo em relação às matérias humanísticas. Todavia, foi na Universidade de Harvard, quando teve que preparar um curso de ciências para não cientistas, que pela primeira vez, ele utilizou exemplos históricos de progressos científicos. Dessa experiência, Kuhn percebeu que a o desenvolvimento da ciência, numa perspectiva histórica, era muito diferente da apresentada nos textos de Física ou mesmo de Filosofia da Ciência. O livro Estrutura das Revoluções Científicas foi, então, um texto produzido e direcionado a um público filosófico, mesmo não sendo um livro de filosofia. Isso porque, conforme ele mesmo dizia, Kuhn criticava o positivismo sem conhecê-lo em profundidade, assim como não se sentia influenciado pelo pragmatismo de William James e John Dewey. A repercussão do seu livro foi tão grande na comunidade acadêmica que, já na segunda edição, em 1970, Kuhn apresentou um pós-escrito, no qual seus pontos de vista são, em alguma medida, refinados e modificados. E, para responder às acusações de irracionalismo, ele escreve, em 1974, um ensaio intitulado Reconsiderando os paradigmas e, logo depois, desenvolve com maior profundidade as descontinuidades históricas, que foram apresentadas em outro livro chamado Teoria do corpo negro e descontinuidade quântica - 1894-1912, publicado em 1979. A polêmica sobre a obra de Thomas Kuhn gira em torno da noção de paradigma científico e da "incomensurabilidade" entre os paradigmas. Ken Wilber defende (em seu livro A União da Alma e dos Sentidos) que a idéia de paradigmas proposta por Kuhn tem sido apropriada e abusada por grupos e indivíduos que tentam fazê-la parecer uma declaração de que a ciência é arbitrária. Entretanto, a obra de Kuhn abriu espaço pra toda uma nova abordagem de estudos chamados Social Studies of Science(estudos sociais da ciência) que desembocou no Programa Forte da Sociologia. Especula-se que Kuhn tenha se apropriado de muitas das idéias de Ludwick Fleck (como paradigma, revolução paradigmática, ciência normal, anomalias, etc), médico polonês que pouco escreveu sobre história da ciência e que permaneceu e permanece desconhecido de muitos.
O pensamento de Kuhn
Thomas S. Kuhn ocupou-se principalmente do estudo da história da ciência, no qual mostra um contraste entre duas concepções da ciência: Por um lado, a ciência é entendida como uma atividade completamente racional e controlada. (PERSPECTIVA FORMALISTA). Em outro lado, a ciência é entendida como uma atividade concreta que se dá ao longo do tempo e que em cada época histórica apresenta peculiaridades e características próprias. (PERSPECTIVA HISTORICISTA). Este contraste emerge na obra A Estrutura das Revoluções Científicas, e ocasionou o chamado giro histórico-sociológico da ciência, uma revolução na reflexão acerca da ciência ao considerar próprios da ciência os aspectos históricos e sociológicos que rodeiam a atividade científica, e não só os lógicos e empíricos, como defendia o modelo formalista, o qual estava a ser desafiado pelo enfoque historicista de Kuhn.
Enfoque historicista
Segundo o enfoque historicista de Kuhn, a ciência desenvolve-se segundo determinadas fases: Estabelecimento de um paradigma. Ciência normal. Crise. Ciência Extraordinária. Revolução científica. Estabelecimento de um novo paradigma.
        A noção de paradigma resulta fundamental neste enfoque historicista e não é mais que uma macroteoria, um marco ou perspectiva que se aceita de forma geral por toda a comunidade científica (conjunto de cientistas que compartilham um mesmo paradigma e realizam a mesma atividade científica) e a partir do qual se realiza a actividade científica, cujo objectivo é esclarecer as possíveis falhas do paradigma ou extrair todas as suas consequências.
        A ciência normal é o período durante o qual se desenvolve uma atividade científica baseada num paradigma. Esta fase ocupa a maior parte da comunidade científica, consistindo em trabalhar para mostrar ou pôr a prova a solidez do paradigma no qual se baseia.
        Porém, em determinadas ocasiões, o paradigma não é capaz de resolver todos os problemas, que podem persistir ao longo de anos ou séculos inclusive, e neste caso o paradigma gradualmente é posto em cheque, e começa-se a considerar se é o marco mais adequado para a resolução de problemas ou se deve ser abandonado. Então é quando se estabelece uma crise,
        Ciência extraordinária, o tempo em que se criam novos paradigmas que competem entre si tentando impor-se como o enfoque mais adequado.
        Produz uma revolução científica quando um dos novos paradigmas substitui ao paradigma tradicional. A cada revolução o ciclo inicia de novo e o paradigma que foi instaurado dá origem a um novo processo de ciência normal.
Desta maneira, o enfoque historicista dá importância a fatores subjetivos que anteriormente foram passados por alto na hora de explicar o processo de investigação científica. Kuhn mostra que a ciência não é só um contraste entre teorias e realidade, senão que há diálogo, debate, tensões e até lutas entre os defensores de distintos paradigmas. E é precisamente nesse debate ou luta onde se demostra que os cientistas não são só absolutamente racionais, não podem ser objetivos, pois nem a eles é possível afastar-se de todos os paradigmas e compará-los de forma objetiva, senão que sempre estão imersos em um paradigma e interpretam o mundo conforme o mesmo. Isto demostra que na atividade científica influi tanto interesses científicos (ex: a aplicação prática de uma teoria), como subjetivos, como por exemplo, a existência de coletividades ou grupos sociais a favor ou contra uma teoria concreta, ou a existência de problemas éticos, de tal maneira que a atividade científica vê-se influenciada pelo contexto histórico-sociológico em que se desenvolve. Também é verdade que, epistemologicamente falando, Thomas Kuhn se guia por um paradigma para estudar a formação dos paradigmas!
Para Kuhn a ciência é subjectiva evolui de modo a aproximar-se da verdade. Esta aproximação é feita pela substituição de teorias, paradigmas que são segundo Karl Popper objectivamente melhores que a teoria ou paradigma anteriores, sendo assim a ciência segundo Popper objectiva. Mas Kuhn critica este ponto de vista e afirma que dois paradigmas são incomensuráveis, e tambem para um paradigma ser melhor que outro tinha de ser objectivamente melhor que o anterior mas isso não acontece pois os factores que levam a escolher um paradigma e desfavorecimento do anterior são factores subjectivos. Sendo assim a ciência não objectiva pois as escolhas que levam a evolução da ciência são meramente subjectivas.
Principais publicações
    A Função do Dogma na Investigação Científica. Thomas Kuhn, 1961; A estrutura das revoluções científicas. 7.ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2003; O caminho desde a estrutura. São Paulo: Editora UNESP, 2006; A tensão essencial. Lisboa: Edições 70, 1989; A revolução copernicana: a astronomia planetária no desenvolvimento do pensamento Ocidental. Lisboa: Edições 70, 1990.

mercoledì 22 ottobre 2014

Film - Cinema Brazil and Orbe - Rubem Alves - Filosofia - Scienze



Neste post entendemos repassar alguns filmes desde a perspectiva da relação filosofia-ciência, segundo a obra rubemalveziana "Filosofia da Ciência". Os textos foram elaborados pelos alunos do homônimo curso, no ano acadêmico 2014/2.

GATTACA: A EXPERIÊNCIA GENÉTICA[1].
Raniery

Quem é a ciência? Quais os meios utilizados por ela? São legítimos seus procedimentos? Até que ponto o pensamento científico tem o poder de modificar a história humana num sentido obstinado de melhoramento onde a “régua medidora” do ser melhor são seus próprios conceitos? Será que, de fato, a mãe natureza deseja uma intervenção humana aos moldes das feitas até então?
A filosofia da ciência, em Rubem Alves, é entendida como a grande “desencantadora” do universo. Tal desencanto iniciou-se com a manipulação que os homens se propuseram fazer das realidades da natureza. O sistema solar, os astros, a ordem celeste,... Tudo em busca de responder perguntas que nunca fora sanada. O grande conflito, no entanto, está em os cientistas serem forças a admitir que, por mais estudo que se tenha, por mais pesquisas e testes sejam elaborados; toda verdade formulada por eles é provisória, porque tudo o que os pesquisadores científicos têm nas mãos são modelos daquilo que se é real. Logo, a qualquer momento pode o pensamento formado ser refutado. Que o diga a falseabilidade popperiana. São pelas possibilidades de falsar ideias que já foram outorgadas que se tem o progresso na ciência. Só há avanços científicos quando é descoberto anomalias e forçam os cientistas a questioná-los. Sem sombra de dúvidas: é das probabilidades que a ciência surge. Mendel, quando analisava os códigos genéticos, atestava: o que é determinante é um elenco de unidades genéticas com certas chances de serem ativadas pelo evento da fecundação, ou alteradas depois dele. O que Mendel não pensou foi na falsificação de um gene, reprimindo o seu próprio. Mas, como pode?
Mais que um filme de ficção científica, Gattaca: a experiência genética é um exímio exemplo de um determinismo genético numa nação.  O longa-metragem trata de uma civilização que estaria baseada num mapa genético, no DNA e na manipulação dos que, por eles entendidos, seriam pessoas quase perfeitas. Por exames, os habitantes de realidade futurista eram examinados constantemente e julgados pelas probabilidades de terem doenças e imperfeições. Existia, portanto, uma discriminação de classe; não como as que no presente tempo temos (como raças, cores, culturais, posição social...) mas, à nível científico. Por curriculum, apenas suas células. Os atestados nessa seleção como inválidos, eram descriminados: é o caso de Vicent. Para escapar dessa sina, recorre à espécie de mercado negro, conseguindo um sósia com características perfeitas para sua entrada na Gattaca. Todavia, para conseguir será preciso que ele raspe e corte os pelos, fraude seu exame de urina e de sangue, ponha lentes de contato, tudo para tornar-se a identidade comprada. No íntimo da trama, encontramos uma menção ao darwinismo e outras filosofias mencionada pelo cineasta. Mostra que o homem é perfeito, apesar de às vezes ter aparências imperfeitas. Uma sociedade fechada de perfeitos, intolerantes com os que possuem alguma deficiência – ideias como as da eugenia dos anos 40 – em nada pode contribuir para a boa convivência da raça humana.
A ciência deve contribuir para uma melhor vivência do homem. Os códigos genéticos não devem ser meios para uma exclusão ou discriminação social. Como o filme aborda, não existe uma posição drástica entre Deus e genética, entre fé e razão. A ciência deve sempre ter cautela em suas afirmações quando pretende possuir a verdade absoluta de todas as coisas existentes. O que o cientista possui em suas mãos são apenas modelos, e, como dizia Rubem Alves: “Ensinar ciência é ensinar modelos”.

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SEGURANÇA NACIONAL
Roberto

1º) Quais os pressupostos dede a perspectiva para o entendimento da concepção de ciência filme e para o concepção de fé (existe?)?
Ciência: sistema de radar (Sivam); Investigar para não negociar com terroristas; R99 jato de analise; bombas; Avião radar; caça suporte tucano; construção de uma ponte; código morci; Alei do abate entrou em vigor em 2014.
Fé: Vá com Deus ( terrorista); Deus abençoes vocês (Presidente), és o preso quevai pagar pelo seu pecados   ( terrorista).

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Quem somos nòs
Paulo

“Todo ponto de vista é a vista de um ponto”( Ortega y Gasset)

1-    Quais os pressupostos – desde a perspectiva da  filosofia da ciência em Ruben Alves( no capitulo que leu) para o entendimento da concepção de ciência do filme? E para a concepção de fé( existe?)
Na concepção de Rubem Alves os pressupostos da ciência  é a busca de uma ordem que é invisível e que dá sentido ao que existe de enigmático,  e o esforço de dar respostas ao que se apresenta como problemas.essa busca é infinita, visto que a ciência nunca contenta-se com teorias, declarando-as como verdade tendo em vista a possibilidade de sua confutação.
No filme quem somos nós, aborda questões existenciais do ser humano unindo-as  com a física quântica para defender a idéia de que a realidade nada mais é do que aquilo que vemos e que portanto ela é limitada pelas emoções e sensações do momento em que as vivenciamos. A realidade portanto seria uma possibilidade mental. Então existe uma realidade para além daquilo que se pode ver. Uma realidade que não é apenas exterior ao homem, mas existe uma realidade interior que é responsável por produzir a realidade exterior.
Porém o homem tende a acomodar-se com aquilo que é dado pela sua percepção limitada (vicio)  não penetrando na “toca do coelho do mistério”.nessa perspectiva os pressupostos da ciência  segundo o filme,se identificam com a de Rubem Alves, pois a ciência é a reflexão daquilo que parece banal e que costumeiramente não mais é questionado pelo senso comum, é a busca do conhecimento sem a interferência dos vícios, ou seja da dogmatização de teorias. É busca do que está além da realidade aparente,visto que a mente humana não consegue apreender totalmente o objeto.
Quanto à concepção de fé que aparece no filme é de critica à religião por pregar um Deus separado e superior ao homem e defende que  o Deus que a religião prega não passa de uma imagem de quem o criou. Portanto o Deus que é pregado não existe.Deus é o próprio homem que chega ao nível de conhecimento de si, de suas possibilidades

2-    Desde Rubem Alves em que vc criticaria o filme?
O filme faz uma exacerbada valorização das potencialidades e consequentemente a negação da existência de Deus, ao defender que Deus é o próprio homem desenvolvido no conhecimento de si  e que descobre as suas potencialidades. Isso significa dizer que a fé é fruto da ignorância humana que  desconhecendo o seu potencial e sua capacidade criadora, o projeta em um ser externo que não existe mas é uma projeção de si mesmo.

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O Enigma de Kasper Houser
José Clebson
Rubem Alves no capitulo VI do seu livro filosofia da ciência, nos mostra que, para cada determinada pesquisa a uma teoria específica, assim nos revelando que não podemos dogmatizar-las. Que ao encontramos um resultados não demos ter como uma verdade absoluta. Portanto as teorias são elaboradas de acordo com que desejamos pesquisar. Esse método de pesquisa nos ajuda a compreender a ciência mostrada através do filme “O ENIGMA DE KASPER HOUSER”,que através da observação e experiência constroem teorias para chegar ao conhecimento do problema, e assim buscar conhecer quem era Kasper Houser.  Sobre a questão da fé mostrada através do filme, é que a fé é importante porque através dela nós elevamos o espírito, mas só a adquirimos através do conhecimento e não de uma imposição.

2. Crítica ao filme.
         A triste história de Kaspar Hauser teve fim quando, derrepente o diretor do filme resove assassinar-lo. Não mostrando uma clareza no meu metodo de pesquisa. Assim como sua origem e real identidade,a pessoa que o manteve em cativeiro quando criança e seu assassino não foram desvendados, permanecendo um enigma e fazendo com que novas hipóteses e estudos sejam gerados através de sua figura.

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CRASH: NO LIMITE
Josué
“O filme tem duração de 112 minutos, o gênero é Drama, e se passa em Los Angeles, nos Estados Unidos. A história fictícia abordada pelo filme tem duração de 36 horas, a censura é para maiores de 14 anos e tem como autor/roteirista Paul Haggis.”
O filme aborda a realidade do preconceito entre as pessoas na cidade de Los Angeles. O filme inicia retratando uma batida de carro. Curiosamente o ator Don Cheadle, que faz o papel de um detetive e que estava dentro do carro que recebe a batida, afirma que as pessoas se batem por que estão muito distantes uma das outras estão, em meio a tanta gente, se sentindo solitárias, esparram um no outo apenas para sentir prazer. Daí começa a acontecer uma série de atos preconceituosos sofridos: uma mulher que bateu no carro sofre preconceito por parte da mulher que vinha com o detetive, uma dupla de jovens negros um sente que o tratamento que deram a eles, em relação aos brancos que lá estavam, foi preconceituoso. Isso vai se desenrolando de forma que não se apresenta só um dos envolvidos no ato, mas todas que estão envolvidos apresentam algum tipo de preconceito.
Dando sequencia a esses episódios, a atriz Sandra Bullock faz o papel de uma de uma esposa de um promotor e muito preconceituosa. Ela com seu esposo estavam passando pela rua quando vinham passando aqueles dois rapazes negros ela com cara de assustada se aproximam de seu marido, os rapazes um dos rapazes percebeu o ato preconceituoso dela. Em seguida eles anunciam o assalto e levam o carro. A polícia persegue o carro.
Na trama aparece um policial para um carro que não era o do assalto, e ele sabia disso, mas ele fez isso por que o motorista era um negro que estava com sua mulher. O policial humilha o homem e faz vistoria na esposa deste passando a mão nas partes intimas dela. Outo policial, jovem, não gostou da ação de seu companheiro. Ela fala para seu chefe, que era negro, mas esse não quis se meter, pois não queria manchar sua carreira.
A onda de preconceito continua. Um comerciante de outra nacionalidade, que já havia sofrido preconceito, chama um chaveiro para consertar a sua porta e ele diz que trocou a fechadura, mas informou que o problema estava na porta, como não consertava portas pede apenas o pagamento da fechadura e deixa de lado a mão de obra, porém, numa conversa desrespeitosa por parte do comerciante o chaveiro se chateia vai embora sem receber. Dias depois a loja é arrombada. O comerciante culpa o chaveiro e procura vingança.
Num segundo momento as coisas passam a acontecer de outra forma. Aquele policial sai para fazer a ronda e se depara com um acidente, quando tenta socorrer a vítima ele percebe que era aquela mulher que ele vistoriou a frete se sue esposo. Ela o reconhece e grita para que ele não a toque, mas ele insiste e convence-a, pois o carro estava preste a explodir. Com risco eminente de morte ele a salva. Então diante dessa situação ele começa a cair em si.
No caso da esposa do promotor, ela começa deixar o preconceito de lado quando, em uma situação difícil, percebe que sua verdadeira amiga era a sua empregada pobre.
Já o comerciante realmente foi se vingar. Fica de tocaia na frente da casa do chaveiro. Quando esse chega ele vai tomar satisfação e pede que esse o pague, como a chaveiro não tinha dinheiro, ele se prepara para atirar, nisso a filha corre para proteger o seu pai e quando chega de frente dele, o comerciante atira. O pai fica apavorado por pensar que sua filha havia levado um tiro, mas em seguida percebe que ninguém se machucou, então entra para sua casa com a filha e esposa. O comerciante vê aquela criança como um anjo e cai em si. 
Aquele jovem policial que abominava o preconceito de seu colega dá uma carona a um negro. Durante o trajeto percebe que este apresenta sinais se alguém que pulou muros para assaltar. O negro em certo momento começa a rir e o policial começou a se irritar, pede explicação. O negro coloca a mão na bolsa para tirar alguma coisa que explicaria por que ele estava rindo, ao fazer isso o policial atirou. Quando vai olhar o que ele ia tirar da bolsa percebe que era uma imagem de São Cristóvão semelhante a sua que estava no painel do carro. Sofre duramente com aquilo.
Por fim, o detetive que parou no acidente no início do filme viu que lá tinha um jovem morto na estrada, àquele jovem era seu irmão.  A sua mãe faz uma dura crítica, reclamava da ausência dele e dizia que ele só queria saber da promoção social e por isso a abandonou a ela e a seu irmão.
Toda essa trama mostrou os pontos estremos que o preconceito pode levar; Mostrou que não é a cor nem a classe social e muito menos a nacionalidade que revelam o verdadeiro significado do que seja o ser humano.

QUAL O PAPEL DA CIÊNCIA NESSA REALIDADE?

Façamos uma relação entre o filme e a ciência.
O que causa o preconceito? Normalmente os preconceitos são causados por meio da observação, as pessoas observam que neles existe uma comprovação através dos dados concretos de que, por exemplo, existe um grande numero de criminosos entre os negros, daí ser melhor manter distância; o povo de Los Angeles constatou que os terroristas de outra nacionalidade agiram de forma covarde e causaram dano a seu país. Isso mostra que as pessoas tem um conhecimento prévio a cerca de todas as realidades das quais pretendem se livrar com seus atos discriminatórios e isso dá a elas o direito de ter preconceito.
Essa é o que acontece com o preconceito, ele se auto justifica a partir da realidade. E a ciência por muito tempo seguiu essa linha quando tomou por base a ralação causa e efeito. Para constatar isso vejamos como a ela se comportaria diante de uma analise de uma relação preconceituosa: “os negros estão constantemente envolvidos em assaltos e assassinatos, são responsáveis pelos pânico na cidade”. Na relação causa e efeito que procura conhecer a partir do que foi “dado” diria simplesmente que a causa de tudo são os negros e o efeito da ação deles é o pânico.  No empirismo e no positivismo sugeriram essa forma de trabalhar para as ciências, porém ela não vai além dos fatos. Sendo assim, os preconceitos nas ciências e muito menos nas relações não são justificados, pois não ultrapassam os enunciados.
A ciência precisa procurar ir além das causas e dos efeitos, deve perceber que a indução não determina toda a verdade, e que o fato é apenas o inicio donde parte a compreensão, ou seja, não se faz ciência generalizando os fatos a partir do simples dado. Isso é o que as pessoas preconceituosas fazem.
Para superar os preconceitos devemos ir além dos fatos e perceber e procurar compreender o que está por trás de todo o dado. Também é necessário nunca fazermos generalizações apresada. Pois se corre o risco de errar seriamente e não termais volta, isto é, se não procurarmos compreender da forma correta o verdadeiro sentido das coisas e sua real explicação, a forma correta nos dará o seu verdadeiro sentido e pode ser drástico e isso está fora do nosso controle.

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Muito além do último jardim
Messias
O filme “Muito além do último jardim” aborda questões como a influência da mídia sobre o comportamento das pessoas. O modo pela qual as pessoas mais simples são facilmente absolvidas pelo conteúdo da tv. Isso se mostra visível no personagem principal Chance Gardener que, não sabendo ler ou escrever, tem como educadora a programação da tv, chegando ao ponto de imitar inesperadamente as cenas dos programas e filmes. Sua inocência e simplicidade passa a ser admirada por todos, especialmente depois do seu contato com o presidente, através de aconselhamentos simples, relacionados ao seu ofício de jardineiro, e que foram citados num discurso oficial pelo próprio presidente. A partir desse momento seu reconhecimento é ampliado; todos querem conhece-lo ou tomar seus conselhos.
A imagem do jardineiro representa a sociedade degenerada e manipulada pela mídia que, em plena ascensão no século XX, fascina e encanta seus consumidores. Este fascínio permite uma forte influência da mídia no comportamento dos indivíduos com relação à economia, política, ou mesmo nas relações interpessoais.
O contraste entre o simples e o complexo, o não-instruído e o intelectual, o senso comum e a ciência, fascina e surpreende a muitos, permitindo um diálogo - nem sempre pacífico, devemos reconhecer - mas contribui imensamente para o desenvolvimento social, técnico e para as relações humanas. Isto permite fazer uma associação entre a ciência – esta, vista como um conhecimento oficial através de sua investigação – e o senso comum, que por sua vez, representa o conhecimento que parte da experiência popular, sem base científica, mas que serve como ponto de partida para a investigação rigorosa.
As diferenças entre o discurso científico e o senso comum podem ser identificadas no filme na relação estabelecida entre Chance e Bem, um homem idoso e enfermo, com uma grande fortuna cujos recursos são voltados para o tratamento e manutenção da sua saúde. Enquanto um levava uma vida simples e desprendida de ideias e opiniões complexas acerca de assuntos como economia e política, o outro, mesmo vencido pela doença, mostrava conhecimento e interesse aguçados.
O estilo de vida adotado pelo jardineiro, diferente daquele que deposita toda sua confiança no dinheiro e nas coisas que ele pode proporcionar, é baseado no convívio e na lida com os aspectos mais simples e ordinários do dia a dia. Mesmo com o contato com outras realidades distintas da sua, Chance não altera seu modo de ser e se portar diante da realidade e das pessoas com quem manteve contato. Tal comportamento pode ser interpretado como o resultado de uma fé desprendida de apegos à fama, ao dinheiro e outros aspectos que normalmente corrompem a conduta de qualquer homem.
O enredo desenvolvido na trama, em que um jardineiro perde seu trabalho, juntamente com sua moradia, e parte numa aventura sem destino, pode apresentar deficiência na apresentação da linha limite entre ficção (consideremos os elementos que fogem drasticamente da realidade) e realidade (elementos perfeitamente aceitáveis nos padrões normais). Isso pode ser identificado na forma repentina com que o jardineiro conhece e é aceito no seio de uma família rica; a rapidez do seu reconhecimento nacional, através do contato com o presidente; ou ainda, ao final do filme, quando o jardineiro aparentemente anda sobre as águas num local muito próximo ao sepultamento do personagem Ben, e não é visto por ninguém, ou seja, uma cena extraordinária, surreal, que pode até comprometer o tom de normalidade de todas as outras cenas.

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O nome da Rosa
Mário
1 Quais os pressupostos, desde a perspectiva da Filosofia da Ciência de Rubem Alves, para o entendimento da concepção de ciência do filme: O Nome da Rosa, e para a concepção de fé (existe?)?
A investigação criminal, com o surgimento de evidências e proposições; A elaboração de discursos dessas proposições e evidências; O levantamento e debate de teorias acerca da investigação; Exame e coleta de provas; Exame minucioso dos cadáveres; Os embates filosóficos entre os personagens acerca de outros temas referentes a igreja, a ciência e a fé. Enfim, o método empírico e analítico.
A concepção de fé existe; seus pressupostos são: o ambiente, o mosteiro; o discurso religioso entre três grandes ordens da Igreja: Dominicanos, Franciscanos e Beneditinos; a reflexão sobre o tribunal da inquisição.

2 Desde Rubem Alves, em que você criticaria o filme.
O conhecimento, a ciência, a filosofia eram coisas perigosas. É uma das principais mensagens que o filme, erradamente passa; o pensamento que predomina, e que queria continuar predominando, impedia que o conhecimento fosse acessível a quem quer que seja, salvo os escolhidos. No filme, a biblioteca era um lugar perigoso, (o conhecimento) era um labirinto e quem conseguisse chegar até o final dele era morto. Só alguns tinham acesso. A Igreja restringia assim o conhecimento, tomando para si o monopólio da ciência, da filosofia. Essa perspectiva da Igreja tem a ver com o pensamento dominante da Idade Média, dominado pela igreja. A informação restrita a alguns poucos representava o domínio e o poder. É o que se prega como a idade das trevas, em que a Igreja deixava na ignorância todos os outros.
Mas não é bem assim; esquece-se de que a Igreja foi, nessa época, e até hoje o é também, a grande guardadora do depósito da fé e do conhecimento. A riqueza das grades curriculares das universidades deve-se a santa Igreja Católica, que zelou, propagou e criou grandes obras.

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Matrix e a obra Filosofia da Ciência - Introdução ao jogo e suas regras, de Rubem Alves
Fagner
Matrix é um filme com forte temática filosófica, cujo objetivo é desmistificar uma realidade aparente na qual a sociedade inteira vive. Tal “realidade”, nomeada Matrix, seria uma grande máquina capaz de usar as energias humanas. Alegorias como estas já foram usadas largamente ao longo do tempo, um exemplo destas é a “Caverna de Platão”, cujo temário diz respeito a liberdade proporcionada pela descoberta de uma ilusão vivenciada na caverna, através do sair da mesma. No livro Filosofia da Ciência - Introdução ao jogo e suas regras, de Rubem Alves, encontram-se também menções acerca da relação entre verdade e equívocos, esta científica e esses vindos do senso comum.
Rubem Alves fala de uma necessária “desmistificação do cientista”, que, no pensar dele, colocou-se acima de qualquer conhecimento, “absolutizando” a verdade. No filme mencionado há um mundo ilusório (Matrix) e uma realidade, sabidos por poucos. Neste sentido, tomando a posição de Alves e de tal filme, pode-se fazer uma relação entre o momento em que a pesquisa é inexistente (ilusão) e o momento em que a pesquisa passa a existir (verdade); a diferença é que, em Rubem Alves, a busca cientifica nasce da necessidade, de uma problemática, e na Matrix, o processo de verdade é desencadeado por outrem (Morpheus).
No filme não há exclusão das dúvidas em relação ao mundo – o protagonista (Neo) era cheio delas – este é um ponto comum com a obra de Rubem Alves, pois nela as pessoas podem se debruçar sobre a pesquisa, a partir de um problema, e encontrar a solução (verdade). Este autor sugere que o leitor busque o desconhecido, a pergunta “O que é o desconhecido?” seria o início de uma solução, na linguagem do filme, de uma libertação.
Assim, vê-se a ciência como indiscutivelmente necessária e reveladora da verdade, tanto em Matrix quanto em Rubem Alves. Entretanto, vê-se também que ela deve ser usada para o serviço de todos, instrumento de libertação para as pessoas, de conhecimento constante; na Matrix, numa quebra de sistemas, e em Rubem Alves, numa quebra de paradigmas.


[1] Gattaca (no Brasil, Gattaca - Experiência Genética) é um filme americano de 1997, uma ficção científica que aborda as preocupações sobre as tecnologias reprodutivas que facilitam a eugenia e as possíveis consequências de tais desenvolvimentos tecnológicos para a sociedade.

martedì 21 ottobre 2014

Promessa é dívida: Popper, Kunh e síntese epistemologica

Para todos os alunos do curso de Filosofia da Ciência

Eis os três textos a serem discutidos em grupo e apresentados a modo de síntese para a aula de terça-feira da semana que vem.

GRUPO 1) O pensamento epistemológico de Karl Popper.
Texto em PDF: http://seer.ufrgs.br/ConTexto/article/view/11236

GRUPO 2) A epistemologia de Kuhn
Texto em PDF: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/85016/000257126.pdf?sequence=1

GRUPO 3) Confronto das Idéias de Popper e Kuhn
Texto em PDF: http://www.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0710686_09_cap_03.pdf

martedì 23 settembre 2014

3 temas em busca de desenvolvimento (base para a prova discursiva-argumentativa)



1) “A ciência não progride quando os modelos são confirmados pela investigação, mas quando certas anomalias forçam os cientistas a questioná-los” (R. ALVES, FILOSOFIA DA CIÊNCIA, FREI JOÃO RANIERY ELIAS DA SILVA, D2).
2) “E isto que torna tão difícil fazer uma ciência rigorosa do mundo humano. O problema não está nem nas teorias, nem nos métodos. O problema está na própria natureza do objeto” (R. ALVES, FILOSOFIA DA CIÊNCIA, José Clebson Marçal Pereira).
3) “Usualmente chamamos de hipóteses às perguntas que os cientistas propõem à natureza. A experimentação é a tortura a que submetemos a natureza para obrigá-la a manifestar-se sobre a pergunta” (R. ALVES, FILOSOFIA DA CIÊNCIA, Gedeão Pontes., D.3).

lunedì 1 settembre 2014

O senso comum e a ciência (II), por Joranne Fagner


Capítulo 2 – O senso comum e a ciência (II):

Pág.
Citação
17 – E1
Qualquer um terá a ideia de abrir a tampa do motor, ver se há algum fio solto, dar algumas batidinhas nas peças [...] Esta pessoa age da forma como age, porque dispõe de um modelo do motor [...] Assim, quando ela busca fios soltos e dá suas batidinhas no motor, ela está agindo de forma inteligente, a partir do modelo de que dispõe.
17 – E2
[...] É o defeito que faz a gente pensar. [...] O que não é problemático não é pensado.
18 – E3
[...] Quem não é capaz de perceber e formular problemas com clareza não pode fazer ciência. [...] Frequentemente, fracassamos no ensino da ciência porque apresentamos soluções perfeitas para problemas que nunca chegaram a ser formulados e compreendidos pelo aluno.
18 – E4/E5
Qual é o problema? [...] Ora, o [...] problema é fazer com que ele (o carro) funcione conforme foi idealmente planejado. Isto significa que você só pode resolver o seu problema se for capaz de reconstruir, idealmente, o plano da máquina. A partir deste modelo você poderá inspecionar, mentalmente, os possíveis defeitos no funcionamento do auto. [...] O modelo do motor lhe permite fazer três hipóteses [...] Agora você vai fazer aquilo que os cientistas chamam de pesquisa: testar as suas hipóteses, isto é, verificar, na prática, quais das suas construções mentais do defeito é a verdadeira. (Grifos meus)
20 – E6
Qualquer prática curativa, da “comadre”, curandeiro, ao médico “classe A”, implica o uso de modelos como pré-requisito para o diagnóstico.
20 – F1
[...] Se não tiver um modelo destes circuitos [...] não se poderá
fazer nenhuma hipótese. (se – acréscimo meu)
20 – F2/F3/
F4
A comparação entre números sobre determinados gastos em épocas diferentes nos permite levantar “suspeitas” acerca de algo que queremos esclarecer.
20/21 – G1
A ordem sempre fascinou os homens. [...] A ordem permite que se façam previsões. [...] A agricultura, a pesca, a navegação, as várias formas de artesanato, desenvolveram-se na medida em que os homens descobriram que existe ordem na natureza.
21 – G2
Este espanto perante a ordem é a primeira inspiração da ciência. Quando um cientista enuncia uma lei
ou uma teoria, ele está contando como se processa a ordem, está oferecendo um modelo da ordem. Agora ele poderá prever como a natureza vai se comportar no futuro. É isto que significa testar uma teoria: ver se, no futuro, ela se comporta da forma como o modelo previu.
21 – H1
Você conseguiu descobrir alguma ordem em meio aos absurdos
aparentes? Veja: nada está solto. [...] “o número dos planetas é necessariamente sete”. Não seja injusto para com o autor. Numa época em que os instrumentos para o teste de hipóteses eram raros, é compreensível que lhe sobrasse a imaginação. Nossos textos de ciência, no futuro. Serão provavelmente citados como superstições primitivas.
22 – I1
A magia dos Azande [...] se constrói sobre uma visão da natureza como uma ordem [...]. O indesejável, o não previsto, o maléfico só podem ser produtos de um fator estranho a esta mesma ordem, a feitiçaria. Você não concordaria que, dada a premissa dos Azande sobre a ordem da natureza, as suas conclusões sobre a feitiçaria se seguem de forma necessária?
22 – J1
E o quebra-cabeça? [...] Procedemos de forma ordenada porque pressupomos que haja ordem. Sem ordem não há problema a ser resolvido. Porque o problema é exatamente construir uma ordem ainda invisível de uma desordem visível e imediata.
22 – K1
Só nos entregamos a problemas que julgamos poder resolver com os recursos de que dispomos.
23 – k2
[...] A observação sugere, mas não dá a resposta. É necessário imaginação.
25/26 – N1
[...]. O pensamento é, no seu momento inicial, uma tomada de consciência de que a ação foi interrompida: este é o problema. Tudo o que se segue tem por objetivo a resolução do problema, para que a ação continue como dantes. [...]
A primeira tarefa que se impõe, portanto, é ver o problema com clareza.
Em ciência, como no senso comum, existe uma estreita relação entre ver com clareza e dizer com clareza. Quem não diz com clareza, não está vendo com clareza. Dizer com clareza é a marca do entendimento, da compreensão.
Enunciar com clareza o problema é indicar, antes de mais nada, de que partes ele se compõe. É a este procedimento que se dá o nome de análise.
26/27 – O1
[...]. A solução para o problema é o caminho que o levará de onde você está até onde você deseja ir. [...]. A inteligência segue o caminho inverso da ação. E é somente isto que a torna inteligência. [...] em problemas inumeráveis temos de levantar a questão: o que é o desconhecido?

 

Resumo

Capítulo 2 – O senso comum e a ciência (II)

Sobre “Filosofia da Ciência – Introdução ao jogo e suas regras” (1987) – livro de Rubem Alves (1933-2014), temos como tema introdutório a imprescindível desmistificação do cientista, quando este se põe num plano superior as demais pessoas (senso comum), pelo fato de buscar razões nos processos científicos. Uma busca contrária ao método destas, as quais, em sua maioria, insistem em encontrar verdades num senso extraído duma primeira vista ou numa única interpretação dos fatos, legada por determinada tradição.

O autor indica que a figura do cientista ou de alguém especializado em alguma área do saber, não deve se arvorar de um conhecimento absoluto ou de uma pretensa centralização do pensamento. Rubem Alves crê em expressões e respostas a partir das necessidades encontradas na vida, seja pelos cientistas, seja pelos que não se dedicam a pesquisa. Esta crença não estabelece hierarquia entre as pessoas, mas, equipara-as, como reagentes de um mundo que constantemente os interpela.

No segundo capítulo deste livro o autor cita desafios cotidianos, como problemas automobilísticos, jogos de sorte, etc. para detalhar a gênese da ciência e demonstrar a presença dela na vida das pessoas. Rubem Alves assinala que a pesquisa começa quando um problema aparece; em outras palavras, o ser humano passa a usar o pensamento quando tem a necessidade de encontrar soluções. Neste sentido, Alves entende que a percepção e formulação claras de uma problemática são pressupostos indispensáveis para fazer ciência.

A partir do problema percebido e formulado, é sequente a criação de hipóteses, estas só aparecem graças ao conhecimento ideal do que se está explorando. Em consequência disto temos a pesquisa, que é o teste destas hipóteses. O conhecimento ideal é o modelo da solução do problema formulado. Tendo o modo idealizado e a problemática que desafia este modo, é possível o levantamento das suspeitas acerca do que se quer resolver.

A existência de modelos concretos e quando não, ideais, sugere uma ordem. Rubem Alves é categórico quando afirma que esta sempre fascinou os homens, pois ela permite as previsões. A partir do encontro com o ordenamento da natureza, indica o autor, o homem se sentiu inspirado a conhecê-la, portanto, a desenvolver ciência. Tal inspiração o fez narrar o processamento da ordem natural, oferecendo um modelo; assim, a humanidade passou a ver o mundo com certa previsibilidade, isto graças aos passos dados em direção à pesquisa.

Neste contexto, Alves aponta um elemento, a imaginação. Ele a põe como sequente a observação, uma vez que esta, sozinha, não dá respostas. O pensamento e a imaginação identificam o problema e constroem a solução. Assim, é mister assinalar perante o já supracitado, a necessidade de uma visão e expressão claras acerca do que se pretende entender. Neste sentido, Rubem Alves afirma que “Quem não diz com clareza, não está vendo com clareza. Dizer com clareza é a marca do entendimento, da compreensão” (ALVES, 1987, p. 26).

Considerando o problema, a necessidade de resolvê-lo e a clareza necessária para tanto, o autor finaliza o capítulo sugerindo uma constante questão, quando diante de incógnitas: o que é o desconhecido? Esta pergunta constitui o início de uma solução, pois é a partir de tal questionamento que as dimensões humanas se propõem a sair do fascínio inicial pelo que é dado naturalmente, em direção ao fascínio produzido pela pesquisa e descoberta.


Bibliografia

ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência, introdução ao jogo e suas regras. 10º ed. São Paulo: Brasiliense, 1987.