domenica 23 aprile 2017

O etnocentrismo e a cultura familiar


Adenilson Santos Nascimento Júnior*

     Toda cultura é resultado de uma série de costumes e normas (transitórias) que aos poucos vão surgindo e dando forma às sociedades. Desse modo, é impossível negar que a cultura na qual o homem de 2016 está imerso é totalmente diferente há cerca de 60 ou 70 anos. É cada vez mais comum ouvir daqueles mais idosos o famoso adágio: “No meu tempo não era assim...” Diante de toda essa mudança, a cultura familiar tenta incutir aos seus, em especial aos mais jovens, tudo aquilo que aprenderam outrora, porque pensam que as condutas aprendidas são corretas em comparação com as do tempo atual.
     Portanto, seria justo afirmar que, por vezes, a cultura familiar tenta impor normas como se estas fossem a condição para que o indivíduo progrida na sociedade, de maneira que viver na situação cultural de hoje seria tendê-lo a uma perda de sua identidade. No entanto, uma vez que o homem assume radicalmente uma só cultura ou maneira de viver como certa, por mais que esta provenha de um berço familiar, ele acaba rejeitando qualquer outra das culturas existentes. Assim, ele não será nada além do que o resultado de uma adesão inconsciente de normas exteriores, isso porque o etnocentrismo “julga os outros povos e culturas pelos padrões da própria sociedade, que servem para aferir até que ponto são corretos e humanos os costumes alheios. Desse modo, a identificação do indivíduo com sua sociedade induz à rejeição das outras” (MENESES, 1999).
     Na verdade, não se trata de julgar uma cultura como certa e dar a ela um patamar de supremacia em relação às demais, nem muito menos de recusar uma conduta familiar como se a família tivesse por objetivo alienar os seus. Uma consciência bem formada saberá acolher todo tipo de costume que servirá para o seu desenvolvimento, sem tornar-se unilateral a qualquer uma delas. Compete ao homem apenas se adequar àquela cultura que mais lhe aprouver, sem precisar denigrir ou criticar as outras, já que estas também são resultado de um costume humano, compostos dos mesmos caracteres que qualquer um outro, capazes de se relacionar e de criar cultura. Afinal, daqui a 60 anos, seremos nós quem, sentados no sofá de nossos cômodos, diremos a outros: “No meu tempo não era assim...”

Referência
MENESES, Paulo Gaspar de. Etnocentrismo e Relativismo Cultural: algumas reflexões. Revista Symposium - UNICAP. Pernambuco, v. 3, p. 19-25, 1999.

Psicanalise e sociologia: dicotomia ou interdisciplinaridade


Adenilson Santos Nascimento Júnior*[1]

     Uma verdade bem certa é que as disciplinas enquadradas em campos próximos de investigação tendem a relacionar-se mutuamente. Os conceitos que definem e caracterizam a Psicanálise como técnica que colabora na descrição e na explicação dos fenômenos sociais, bem como no comportamento humano, entram em uníssono com aquilo que é o objeto de estudo da Sociologia, que são justamente as transformações sociais, a vida em sociedade, o comportamento e suas consequências na sociedade, analisando as relações ou interações do homem no grupo onde está inserido e suas implicações em si e neste mesmo meio. Com tal afirmação, o conceito que define a Sociologia como estudo científico da sociedade cai por terra, visto que existem outras ciências sociais que estudam também a sociedade como, por exemplo, um próprio ramo da Psicologia.
     Neste caso, seria inadmissível não observar os avanços da Psicanálise, principalmente com os contributos de Freud, que deu um caráter mais científico às conclusões psicanalíticas, as quais eram fortemente cobradas pelos sociólogos. Com ele, a Psicanálise torna-se técnica que de maneira empírica estuda os modos, os procedimentos, sejam eles uniformes ou não, do comportamento do homem num grupo social. É como se fosse a grande sacada do estudo psicossocial notar que as moléstias mentais têm muito a ver com a organização social e a posição do indivíduo na sociedade, o que contribui para o desenvolvimento e a mútua colaboração entre estas duas ciências do comportamento. Isso demonstra que na medida em que o indivíduo passa a ser investido ou rejeitado, fortes sequelas mentais vão sendo originadas, quer sejam boas, quer não sejam. Assim, uma depressão ou um distúrbio repentino não poderiam ser explicados segundo conceitos biológicos ou médicos. Deveriam entrar aí as interferências sociais, ou seja, as causas no grupo onde ele está inserido, que contribuíram para o indivíduo haver passado para tal moléstia mental.
Freud, além disso, refinou o seu arcabouço de métodos de investigação e de interpretação das moléstias mentais. Para início de conversa, a primeira característica que deve ser considerada é a multiplicidade de técnicas de investigação da qual a Psicanálise é revestida, sendo as principais delas a entrevista e o estudo de caso, porque ajudam mais a conhecer e a reconstruir o contexto da situação do paciente. Do mesmo modo, a Sociologia não possui um só método para entender as divergências sociais, mas é dotada de uma multiplicidade de propostas que a ajudam a analisar de maneira mais precisa os problemas da sociedade, seja ele mais voltado ao histórico-comparativo, ou a um campo mais limitado, de acordo com valores quantitativos e qualitativos. Porém, uma perspectiva que deve ser assinalada é que, para acontecer tal relação, foi necessário muito avanço e muito esforço. Primeiramente, os sociólogos teoricamente focados numa explicação conceitual das questões sociais não estavam interessados em ouvir os conceitos provindos dos resultados obtidos pelos psicanalíticos através de seus inovadores métodos de investigação. Mas fica bem claro que só haveria vantagens na cooperação entre as duas disciplinas: de um lado, a Psicologia cresceria com a propagação de seus conceitos num outro ramo cognoscitivo; de outro, a Sociologia ganharia com uma extensão dos limites de explicação sobre as causas sociais. No fim das contas, as duas saem ganhando.
     Ademais, a pedra de toque que justamente relaciona as ciências sociais é o comportamento humano. De fato, todas elas acabam, de um modo ou de outro, segundo perspectivas diferentes ou semelhantes, em querer entender e explicar o comportamento do indivíduo, ou mais ainda as suas causas. Não obstante as críticas anteriores à Psicanálise que os sociólogos propunham principalmente pela ausência de suas explicações sobre os fatores das moléstias sociais, atualmente a situação é de uma afinidade entre essas duas disciplinas, visto que, em um sentido mais profundo, a Sociologia bebe de muitos teoremas psicanalíticos que contribuem fortemente para a explicação das coisas e dos acontecimentos na vida em sociedade. Conquanto se trate de uma teoria que tem em vista o homem que se relaciona, o assunto tratado é o mesmo nas duas disciplinas: o comportamento. A personalidade, e suas diferenças, o seu sistema organizado estrutural e funcionalmente, a libido que colabora na definição da personalidade e na orientação do comportamento humano, são teorias psicanalíticas que servem demasiadamente aos conceitos sociológicos.
Entretanto, é bom frisar que em certos casos tais disciplinas não podem caminhar juntas. O ponto de partida da Sociologia não se radica na pessoa individual, do mesmo modo que a Psicanálise não se esforça densamente em estudar as relações entre os indivíduos. Muito embora as duas ciências trabalhem em cima da temática do comportamento humano, uma se esforça mais em estudar o homem individualmente, outra em estudá-lo de acordo com suas relações. A contribuição entre uma e outra disciplina está no fato de que a Psicologia ajuda a Sociologia enquanto técnica de observar as moléstias sociais e dar uma comparação com as resultantes do indivíduo no meio social, ao passo que a Sociologia contribui no estudo psicológico enquanto ciência que estuda as interações sociais, sendo elas frutos de uma psiquê bem constituída (ou não, se forem os casos das moléstias).
     Para evitar especulações, é bom frisar que a ação, o comportamento do indivíduo na sociedade é ao mesmo tempo psíquico e social. Isso porque ele usa de mecanismos que o põem numa realidade total, global, que compromete a personalidade individual e influi sobre ela. O psicólogo vai concentrar sua atenção na personalidade global e o meio que influenciará sobre a estrutura e a dinâmica desta mesma personalidade. O sociólogo, por sua vez, vai estudar o meio social ou o conjunto global das relações entre pessoas. Em ambas, serão estudados os comportamentos em suas áreas de campo, cujo comportamento ganhará caráter objetivo ou subjetivo a depender da situação na qual o indivíduo se encontra. Assim, o modo pessoal da ação do indivíduo na sociedade não é autônomo, soberano sobre si mesmo, que se basta a si próprio. Ele precisa também do modo de atuar em comparação com aquela parte do indivíduo que permanece fora e se contrapõe. A teoria psicanalítica ganha importância relevante na medida em que pode cooperar na explicação dos fenômenos sociais e das consequências do comportamento humano no meio social onde ele está inserido.
Aliás, o comportamento não é algo composto de várias ramificações que podem ser separadas e estudadas uma por uma em cada uma das disciplinas sociais. Seria um conceito muito pobre. Na realidade, as teorias sobre o comportamento humano ganham mais relevância quando são carregadas de vários conceitos da mesma temática, sobre o mesmo assunto visto de vários pontos de vista, como seria o caso da ciência psicanalítica e da sociológica ao discutirem sobre o mesmo tema. Outra consideração que deve ser frisada é que uma ciência não é mais científica por possuir um conceito mais teórico, ou mais empírico que a outra. Como já foi dito, tratam-se de duas ciências que possuem seus campos próprios de pesquisa e de investigação, que podem muito bem relacionarem-se mutuamente, trocando conceitos, ideias e conclusões favoráveis às duas disciplinas. Não se trata de disputa entre matérias do comportamento para saber qual delas é a melhor ou mais convincente. São, na verdade, duas matérias que querem crescer cada vez mais, e que, se for preciso entrar em sintonia, elas conseguem tal objetivo hoje em dia de maneira facilitada.
      Enfim, são grandes os avanços obtidos por essas duas disciplinas das ciências sociais que tendem a crescer muito mais ao passo que conseguem cada vez mais relacionarem-se. No entanto, a associação dessas duas disciplinas não é a solução para as indagações de suas investigações. A Psicanálise e a Sociologia ainda têm muito que trabalhar nas suas próprias áreas sobre temas que são especificamente seus. Essa associação traz, sem dúvidas, uma diminuição nas pesquisas e uma maior quantidade de respostas às perguntas concernentes às duas ciências. Mas, em síntese, não trazem todas as respostas para todos os problemas das questões sociais e psicológicas. Em outras palavras, haverá questões que somente a Sociologia poderá explicar, mesmo que precise recorrer a um ou outro conceito psicanalítico, e vice-versa. Isso não faz de modo algum empobrecer as teorias de uma ou de outra disciplina. Pelo contrário, só fortalece e enriquece mais as suas teses e conceitos. A interdisciplinaridade dessas duas ciências cai muito bem no que se refere a ideias de interesse mútuo, onde as duas podem muito bem esforçarem-se para alcançar respostas que sejam úteis tanto às questões psicológicas como às questões sociais. O que não se pode afirmar é que cada matéria se basta em si mesma. Na verdade, se bem pensado, cada ciência é útil às outras ciências. O que basta é esta consciência de colaboração mútua, tão necessária às ciências se a meta for o seu progresso.



[1] Todos os nomes, seguidos de (*), são os de alunos, da disciplina de Introdução à Sociologia, do curso de graduação em filosofia, de 2016, do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, de Aracaju/SE.

martedì 28 ottobre 2014

Pope Francis - Evolution - Creation - Benedictus


SESSIONE PLENARIA DELLA PONTIFICIA ACCADEMIA DELLE SCIENZE
DISCORSO DEL SANTO PADRE FRANCESCO
IN OCCASIONE DELL'INAUGURAZIONE DI
UN BUSTO IN ONORE DI PAPA BENEDETTO XVI
Casina Pio IV
Lunedì, 27 ottobre 2014

Signori Cardinali,
Cari Fratelli nell’episcopato e nel sacerdozio,
Illustri Signore e Signori!
Mentre cadeva il velo dal busto, che gli Accademici hanno voluto nella sede della Pontificia Accademia delle Scienze in segno di riconoscimento e gratitudine, un’emozione gioiosa si è fatta viva nella mia anima. Questo busto di Benedetto XVI rievoca agli occhi di tutti la persona e il volto del caro Papa Ratzinger. Rievoca anche il suo spirito: quello dei suoi insegnamenti, dei suoi esempi, delle sue opere, della sua devozione alla Chiesa, della sua attuale vita “monastica”. Questo spirito, lungi dallo sgretolarsi con l’andare del tempo, apparirà di generazione in generazione sempre più grande e potente. Benedetto XVI: un grande Papa. Grande per la forza e penetrazione della sua intelligenza, grande per il suo rilevante contributo alla teologia, grande per il suo amore nei confronti della Chiesa e degli esseri umani, grande per la sua virtù e la sua religiosità. Come voi ben sapete, il suo amore per la verità non si limita alla teologia e alla filosofia, ma si apre alle scienze. Il suo amore per la scienza si riversa nella sollecitudine per gli scienziati, senza distinzione di razza, nazionalità, civiltà, religione; sollecitudine per l’Accademia, da quando san Giovanni Paolo II lo nominò membro. Egli ha saputo onorare l’Accademia con la sua presenza e con la sua parola, e ha nominato molti dei suoi membri, compreso l’attuale Presidente Werner Arber. Benedetto XVI invitò, per la prima volta, un Presidente di questa Accademia a partecipare al Sinodo sulla nuova evangelizzazione, consapevole dell’importanza della scienza nella cultura moderna. Certo di lui non si potrà mai dire che lo studio e la scienza abbiano inaridito la sua persona e il suo amore nei confronti di Dio e del prossimo, ma al contrario, che la scienza, la saggezza e la preghiera hanno dilatato il suo cuore e il suo spirito. Ringraziamo Dio per il dono che ha fatto alla Chiesa e al mondo con l’esistenza e il pontificato di Papa Benedetto. Ringrazio tutti coloro che, generosamente, hanno reso possibile quest’opera e questo atto, in modo particolare l’autore del busto, lo scultore Fernando Delia, la famiglia Tua, e tutti gli Accademici. Desidero ringraziare tutti voi che siete qui presenti ad onorare questo grande Papa.
Alla conclusione della vostra Sessione plenaria, cari Accademici, sono felice di esprimere la mia profonda stima e il mio caloroso incoraggiamento a portare avanti il progresso scientifico e il miglioramento delle condizioni di vita della gente, specialmente dei più poveri.
State affrontando il tema altamente complesso dell’evoluzione del concetto di natura. Non entrerò affatto, lo capite bene, nella complessità scientifica di questa importante e decisiva questione. Voglio solo sottolineare che Dio e Cristo camminano con noi e sono presenti anche nella natura, come ha affermato l’apostolo Paolo nel discorso all’Areopago: «In Dio infatti viviamo, ci muoviamo ed esistiamo» (At 17,28). Quando leggiamo nella Genesi il racconto della Creazione rischiamo di immaginare che Dio sia stato un mago, con tanto di bacchetta magica in grado di fare tutte le cose. Ma non è così. Egli ha creato gli esseri e li ha lasciati sviluppare secondo le leggi interne che Lui ha dato ad ognuno, perché si sviluppassero, perché arrivassero alla propria pienezza. Egli ha dato l’autonomia agli esseri dell’universo al tempo stesso in cui ha assicurato loro la sua presenza continua, dando l’essere ad ogni realtà. E così la creazione è andata avanti per secoli e secoli, millenni e millenni finché è diventata quella che conosciamo oggi, proprio perché Dio non è un demiurgo o un mago, ma il Creatore che dà l’essere a tutti gli enti. L’inizio del mondo non è opera del caos che deve a un altro la sua origine, ma deriva direttamente da un Principio supremo che crea per amore. Il Big-Bang, che oggi si pone all’origine del mondo, non contraddice l’intervento creatore divino ma lo esige. L’evoluzione nella natura non contrasta con la nozione di Creazione, perché l’evoluzione presuppone la creazione degli esseri che si evolvono.
Per quanto riguarda l’uomo, invece, vi è un cambiamento e una novità. Quando, al sesto giorno del racconto della Genesi, arriva la creazione dell’uomo, Dio dà all’essere umano un’altra autonomia, un’autonomia diversa da quella della natura, che è la libertà. E dice all’uomo di dare il nome a tutte le cose e di andare avanti nel corso della storia. Lo rende responsabile della creazione, anche perché domini il Creato, perché lo sviluppi e così fino alla fine dei tempi. Quindi allo scienziato, e soprattutto allo scienziato cristiano, corrisponde l’atteggiamento di interrogarsi sull’avvenire dell’umanità e della terra, e, da essere libero e responsabile, di concorrere a prepararlo, a preservarlo, a eliminarne i rischi dell’ambiente sia naturale che umano. Ma, allo stesso tempo, lo scienziato dev’essere mosso dalla fiducia che la natura nasconda, nei suoi meccanismi evolutivi, delle potenzialità che spetta all’intelligenza e alla libertà scoprire e attuare per arrivare allo sviluppo che è nel disegno del Creatore. Allora, per quanto limitata, l’azione dell’uomo partecipa della potenza di Dio ed è in grado di costruire un mondo adatto alla sua duplice vita corporea e spirituale; costruire un mondo umano per tutti gli esseri umani e non per un gruppo o una classe di privilegiati. Questa speranza e fiducia in Dio, Autore della natura, e nella capacità dello spirito umano sono in grado di dare al ricercatore un’energia nuova e una serenità profonda. Ma è anche vero che l’azione dell’uomo, quando la sua libertà diventa autonomia – che non è libertà, ma autonomia – distrugge il creato e l’uomo prende il posto del Creatore. E questo è il grave peccato contro Dio Creatore.
Vi incoraggio a continuare i vostri lavori e a realizzare le felici iniziative teoriche e pratiche a favore degli esseri umani che vi fanno onore. Consegno ora con gioia il collare, che mons. Sánchez Sorondo darà ai nuovi membri. Grazie.
  

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

Ultimo trabalho do curso: William of Ockham - Giordano Bruno - Galileu Galilei

Ultimo trabalho do curso

1) William of Ockham
2) Giordano Bruno

3) Galileu Galilei


Qual a causa do desentendimento com a Igreja Catòlica (inclusive os precedentes)? Como se desenvolveu? Como foi resolvido o problema? E, o "estado da questio" (entenda-se, atualmente)?

O pensamento epistemològico de Popper



PENSAMENTOS ANTERIORES A POPPER[1]
Desde a Antiguidade o critério que define a ciência vem sendo discutido. Entre os gregos o problema que se colocava era a diferença entre opinião e ciência, pois eles tinham a necessidade de adotar um discurso coeso acerca do que se podia demonstrar; isto era paralelo ao saber contingente.
Schmidt e Santos apontam que o pensamento filosófico ocidental, antes de Popper, aplicou-se em descobrir o porquê dos constantes erros encontrados em suas pesquisas, baseado na crença da evidência da verdade. Estes autores também lembram Descartes, o qual defende que premissas verdadeiras imunizam a pesquisa de conclusões falsas ou duvidosas; a evidência seria o critério de verdade. Para este autor, o cientista deve se desfazer de ideias preconcebidas e sem fundamentos, ele, então, partiria da observação, da auto evidência.
No século XX, com a queda do sistema teórico da física newtoniana, fato que estarreceu a comunidade científica da época, o positivismo lógico sofreu duras críticas. Este então, pregador do conhecimento seguro pela experiência, deflagrou fortes questionamentos a metafísica, com intuito de salvaguardar o significado a partir do verificável.

POPPER: UMA POSTURA CONTRÁRIA AO INDUTIVISMO
Karl Popper, em sua obra fundamental A Lógica da Pesquisa Científica, introduz uma nova discussão epistemológica, onde a realidade é inteligível e cabe ao homem ordená-la. Então, a partir de tentativas e erros, visto que o homem sempre aprende com os seus erros, eleva tal categoria a um patamar superior, afirmando que tal experiência é responsável pela mobilidade da ciência, servindo como força propulsora. Então, para tal fim, nega com profunda radicalidade o princípio da indução como método do procedimento científico, pelo simples fato de que uma futura constatação poderá contradizer a todas as anteriores. Desse modo, conforme já afirmado por Hume, abandona-se a ideia de que se pode fundamentar um enunciado universal a partir dum particular. Com isso, pode-se dizer que enunciados singulares não podem atestar uma teoria.
Para Popper a ciência é feita através da construção de hipóteses, teorias e conjecturas, fruto da imaginação criadora do homem, que o aproxima cada vez mais da verdade. Portanto, trata-se de uma construção racional e histórica, pois os homens agem e pensam tendo como referência o tempo em que vivem. Tal feito dá-se pela não cristalização das teorias, de modo a compreender a naturalidade em que se substituem teorias menos satisfatórias por aquelas que contemplem maior conteúdo. Então, através do critério da falseabilidade, estabelece o que é ciência e o que é metafísica. Com isso, toda proposição que puder ser refutada com experiência empírica é científica. De modo que acontecendo o contrário, será metafísica.
Acontece que com Popper todo teoria deve ser questionada de modo a ver se suporta as mais diversas refutações, desse modo, quanto mais for refutada, melhor será a teoria.

CRÍTICAS AO PENSAMENTO POPPERIANO
Este capítulo evidencia debates filosóficos, algumas opiniões de Popper e de críticos ao pensamento do autor. As seguintes críticas evidenciadas são do professor Thomas S. Kuhn, ele contesta quando afirma que o cientista é um solucionador de problemas. A ciência só parte destes, eles aparecem quando demonstram que há algo de errado frustrando as expectativas, ou quando se há dificuldades e contradições.
Segundo Kuhn, os cientistas são solucionadores de enigmas e não de problemas. O termo enigma tem o objetivo de enfatizar que as dificuldades que costumeiramente são enfrentadas pelos cientistas são como enigmas de palavras cruzadas ou de charadas de xadrez, desafios apenas ao seu engenho, pois para ele a dificuldade é do cientista e não da teoria, ele afirma que a posição é quase contraria a de Popper.
Outra questão é os testes na substituição teorias científicos, mas algumas teorias foram substituídas sem antes terem sido testadas. A tese proposta por Popper de que se pode aprender com nossos erros, pois é errada para Kuhn, não é compreensível que um erro se possa se transforma em saber.
 Para Kuhn, o máximo que se pode afirmar a este aspecto é que uma teoria que não era um erro passou a sê-lo, ou por outro lado, que um cientista errou ao obstinar-se a uma teoria por um tempo muito longo. Consoante, assevera Kuhn, o que Popper nos deu não foi uma lógica do conhecimento, mas uma ideologia e em lugar de regras metodológicas, ofereceu aforismos de procedimento.
A ciência normal, para Kuhn, seria a desempenhada por um cientista, ou seja, aquele que acolhe o dogma dominante do dia, que não deseja contestá-lo e que só aceita uma teoria revolucionária, quando a maioria dos membros da comunidade a que pertence está pronta para aceitá-la.
Estas poucas diferenças de opinião entre Kuhn e Popper — certamente não tentamos esgotar o assunto nem, tampouco, apresentar todos os pontos divergentes entre ambos — têm como intuito incrementarmos a erudição acerca do pensamento popperiano.



[1] Karl Raimund Popper (Viena, 28 de Julho de 1902 — Londres, 17 de Setembro de 1994) foi um filósofo da ciência austríaco naturalizado britânico. É considerado por muitos como o filósofo mais influente do século XX a tematizar a ciência 1 . Foi também um filósofo social e político de estatura considerável, um grande defensor da democracia liberal e um oponente implacável do totalitarismo. Ele é talvez mais bem conhecido pela sua defesa do falsificacionismo como um critério da demarcação entre a ciência e a não-ciência, e pela sua defesa da sociedade aberta.
Biografia
Nascido numa família de classe alta de origem judaica secularizada, foi educado na Universidade de Viena. Concluiu o doutoramento em filosofia em 1928 e ensinou numa escola secundária entre 1930 e 1936. Em 1937, a ascensão do Nazismo levou-o a emigrar para a Nova Zelândia, onde foi professor de filosofia em Canterbury University College, Christchurch. Em 1946, foi viver na Inglaterra, tornando-se assistente (reader) de lógica e de método científico na London School of Economics4 , onde foi nomeado professor em 1949. Foi nomeado cavaleiro da Rainha Isabel II em 1965, e eleito para a Royal Society em 1976. Reformou-se da vida académica em 1969, apesar de ter permanecido activo intelectualmente até à sua morte, em 1994. Recebeu a insígnia de Companheiro de Honra (Companion of Honour) em 1982. Popper recebeu vários prémios e honras no seu campo, incluindo o prémio Lippincott da associação americana de ciência política, o prémio Sonning, e o estatuto de membro na sociedade real, na academia britânica, London School of Economics, Kings College de Londres e o Darwin College de Cambridge.
A filosofia de Popper
Popper cunhou o termo "Racionalismo Crítico" para descrever a sua filosofia. Esta designação é significante e é um indício da sua rejeição do empirismo clássico e do observacionalismo-indutivista da ciência, que disso resulta. Apesar disso, alguns académicos, incluindo Ernest Gellner, defendem que Popper, não obstante não se ter visto como um positivista, se encontra claramente mais próximo desta via do que da tradição metafísica ou dedutiva. Popper argumentou que a teoria científica será sempre conjectural e provisória. Não é possível confirmar a veracidade de uma teoria pela simples constatação de que os resultados de uma previsão efectuada com base naquela teoria se verificaram. Essa teoria deverá gozar apenas do estatuto de uma teoria não (ou ainda não) contrariada pelos factos. O que a experiência e as observações do mundo real podem e devem tentar fazer é encontrar provas da falsidade daquela teoria. Este processo de confronto da teoria com as observações poderá provar a falsidade da teoria em análise. Nesse caso há que eliminar essa teoria que se provou falsa e procurar uma outra teoria para explicar o fenómeno em análise. (Ver Falseabilidade). Em outras palavras, uma teoria científica pode ser falsificada por uma única observação negativa, mas nenhuma quantidade de observações positivas poderá garantir que a veracidade de uma teoria científica seja eterna e imutável. Alguns consideram este aspecto fulcral para a definição da ciência, chegando a afirmar que "científico" é apenas aquilo que se sujeita a este confronto com os factos. Ou seja: afirmam que só é científica aquela teoria que possa ser falseável (refutável). Existem críticas contundentes quanto a esse aspecto. Essas remanescem no bojo da própria Filosofia que Popper propõe. E por quê? Ao afirmar que toda e qualquer teoria deve ser falseável, isso se aplica à própria teoria da falseabilidade popperiana. Portanto, a falseabilidade deve ser falseável em si mesma. Diante dessa evidente necessidade - sob a pena de sua teoria ser não-universal e portanto derrogada pela sua imprecisão - poderá existir proposições em que a falseabilidade não é aplicável (vide teorema da incompletude de Kurt Gödel). Nos dias de hoje, verifica-se que o falsificacionismo popperiano não é princípio de exclusão, mas tão somente de atribuição de graus de confiança ao objecto passível do crivo científico. Outros argumentam que estas críticas não fazem sentido devido a teoria de Popper não ser científica, por não se ocupar de fatos contingentes. Para Popper a verdade é inalcançável, todavia devemos nos aproximar dela por tentativas. O estado actual da ciência é sempre provisório. Ao encontrarmos uma teoria ainda não refutada pelos fatos e pelas observações, devemos nos perguntar, será que é mesmo assim ? Ou será que posso demonstrar que ela é falsa ? Einstein é o melhor exemplo de um cientista que rompeu com as teorias da física estabelecidas. Popper debruçou-se intensamente com a teoria Marxista e com a filosofia que lhe é subjacente, de Hegel, retirando-lhes qualquer estatuto científico. O mesmo em relação à psicanálise, cujas teorias subjacentes não são falseáveis (refutáveis). O seu trabalho científico foi influenciado pelo seu estudo da teoria da relatividade de Albert Einstein.
O paradoxo da tolerância
Embora Popper tenha sido um defensor da tolerância, ele disse que a intolerância não deve ser tolerada, pois se a tolerância permitir que a intolerância tenha sucesso completamente, a própria tolerância estaria ameaçada. Em seu livro A sociedade aberta e seus inimigos, ele argumentou: "A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada, mesmo para aqueles que são intolerantes, e se não estamos preparados para defender uma sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerante serão destruídos e tolerância com eles. - Esta formulação, não implica que devemos sempre suprimir as filosofias intolerantes, contanto que possamos combatê-las por argumentos racionais e mantê-las sob controle pela opinião pública. Mas devemos reivindicar o direito de suprimi-las, se necessário até mesmo pela força, e isso pode facilmente acontecer se elas não estiverem preparadas em debater no nível de argumentação racional, ao começar por criticar todos os argumentos e proibindo seus seguidores de ouvir argumentos racionais, devido ela ser uma filosofia enganosa, ensinando-os a responder a argumentos com uso de punhos ou pistolas. Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes. Devemos enfatizar que qualquer movimento que pregue a intolerância deva ser colocado fora da lei, e devemos considerar a incitação à intolerância e perseguição devido a ela, como criminal, da mesma forma como devemos considerar a incitação ao assassinato, ou seqüestro, ou para a revitalização do comércio de escravos como criminoso”.
De comunista a liberal
Popper foi membro ativo do Partido Comunista da Áustria mas, quando questionou os líderes do partido sobre a morte de vários colegas em uma manifestação, ele obteve a resposta de que foram necessárias para se realizar a revolução, o que o marcou profundamente e, a partir daí, começou a questionar a ideologia marxista. Com o tempo, Popper refutou completamente o Marxismo e tornou-se um liberal. Em 1947, Popper fundava com Friedrich Hayek, Milton Friedman, Ludwig von Mises e outros a Sociedade Mont Pèlerin para defender o Liberalismo clássico, no espírito do Open Society.
Diferenças entre Popper e Francis Bacon
Comparando o método científico de Karl Popper com a visão baconiana da ciência, Ernest Gellner afirma em "Relativism and the social sciences" ("Relativismo e as ciências sociais"): "a definição do método científico de Popper difere da versão baconiana de empirismo por sua ênfase na eliminação em vez da ênfase na verificação. No entanto eles têm em comum um determinado ponto: quer nós verifiquemos ou refutemos, de qualquer forma fazêmo-lo com a ajuda de duas ferramentas e apenas duas: a lógica e a confrontação com os factos. As teorias são julgadas por dois juízes: consistência lógica e conformidade com os factos. A diferença entre os dois modelos situa-se apenas em saber se os factos condenam os pecadores ou canonizam os santos. Para o jovem Popper havia alguns pecadores apropriadamente certificados, mas nunca santos definitivamente canonizados".
Livros traduzidos
A sociedade aberta e seus inimigos (2 volumes). São Paulo, EDUSP, 1974; Conhecimento objetivo: uma abordagem evolucionária. São Paulo, ed. da Universidade de São Paulo, 1975; A lógica da pesquisa científica. São Paulo, Cultrix, 1993; O realismo e o objectivo da Ciência (1o volume do pós-escrito à Lógica da descoberta científica). Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1987; O universo aberto – argumentos a favor do indeterminismo (2o volume à Lógica da descoberta científica). Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1988; A Teoria dos Quanta e o cisma na física (3o volume do pós-escrito à Lógica da descoberta científica). Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1989; Conjecturas e refutações (O progresso do conhecimento científico). Brasília, Editora da UNB, 1994; Em busca de um mundo melhor. Lisboa, Fragmentos, 1989;     Um mundo de propensões. Lisboa, Fragmentos, 1991; O racionalismo crítico na política. Brasília, Editora UNB, 1994; Televisão: um perigo para a democracia. Lisboa, Gradiva, 1995; Autobiografia intelectual. Brasília: UnB, 1977. 263p. (B); La miséria del historicismo. Madrid: Taurus Ediciones; Alianza Editorial, c1984. 181p. (B); O eu e seu cérebro. Campinas: Papirus; Brasília: UnB, 1991. 513p. (B); Sociedade aberta, universo aberto. Lisboa: Dom Quixote, 1987. 112p. (B) ; A miséria do Historicismo. Tradução de Octany S. Mota e Leônidas Hegenberg. - São Paulo: Cultrix: Ed. da Universidade de São Paulo, 1980.


Confronto das ideias de Popper e Kuhn




·         Preocupação primeira com aquilo que é ciência e o que não é. Para isso Popper usa como critério o principio da falseabilidade. Essa demarcação rejeita a lógica indutiva e os puros dados da observação sem teoria. Com isto, todo conhecimento é provisório. Para Kuhn, a demarcação usada como critério para Popper não constitui um problema epistemológico, mas concorda com a inadequação do método indutivo de que as teorias e aplicações não são aceitas por consistência lógica ou embasamento lógico, mas sim por razões sociais e pelo consenso da comunidade científica.
·         O que é científico para Popper não o é para Kuhn e vice versa. Kuhn expressa o paradigma e Popper a falseabilidade. Para Popper os cientistas são críticos e estão sempre pondo suas teorias à prova, estando dispostos a alterar ou rejeitar sua inspiração, colocando em questão a validade da teoria vigente. Em Kuhn o cientista resiste a qualquer nova teoria e não está aberto à crítica. Ao contrário de pôr sua teoria a prova ele a protege e procura eliminar tudo o que passa colocando em dúvida sua eficácia, a fim de reafirmá-la.
·         Para Popper o trabalho do cientista é norteado por um método crítico e racional; já para Kuhn, o fator determinante para o progresso da ciência está na prática da comunicação científica.
·         A eficácia de uma nova teoria substitui o paradigma anterior. Kuhn rejeita, então, a lógica popperiana e a questão da universalidade.
·         Em síntese, Popper privilegia a lógica em detrimento das questões psicológicas e sociológicas de kuhn.
·         Popper define a falseabilidade como critério que demarca uma teoria. Em Kuhn a experiência mal sucedida nem sempre é determinante na refutação de uma teoria (paradigma). Já em Popper a experiência será sempre o fator determinante.
·         A verdade não é absoluta, mas objetiva, ou seja, basta corresponder aos fatos mesmo que não se disponha de critérios que possibilite reconhecê-la como tal. Para Popper não existe critérios de progresso em direção à verdade. Kuhn discorda de Popper quando põe em cauda a ideia de verdade como correspondência aos fatos e de considerá-la como meta final da ciência. A verdade de uma teoria só pode ser estabelecida nos limites de cada paradigma.
·         Para Popper o conhecimento científico é essencialmente progressivo. O resultado da atividade critica do cientista é aumentar o conhecimento científico. O progresso é o avanço, na modificação do conhecimento anterior. O conhecimento se dá de forma que a teoria dar lugar a outra que tendo sido submetida a vários e rigorosos testes, apresenta melhor resultado que a anterior não dava e propõe novos problemas.
·         Kunh distingue momentos do progresso da ciência: normal e extraordinária: na ciência normal ele constata a existência de um progresso cumulativo reconhecendo o progresso das teorias vigentes. Na ciência extraordinária existe uma descontinuidade conceitual as mudanças revolucionárias envolvem descobertas que não podem ser acomodadas ao paradigma anterior.
Ex.: Transição da física aristotélica para a newtoniana que não se dá de forma cumulativa, mas apresenta descontinuidade.
Assim não se pode passar do antigo ao novo conhecimento por correção ou acréscimo ao que já era conhecido.
·        Dessa forma os cientistas de correntes distintas, nenhuma observação de um mesmo objeto, podem apresentar resultados distintos. Então a comunicação entre os dois grupos só acontece através de uma conversão de um ao outro.
·        A opinião de Popper é diferente de Kunh com relação ao processo de mudança científica. Em Popper a ciência está no modo básico e constante “revolução permanente”, basta que aconteça uma significativa revolução para constituir uma revolução dessa ordem.
·        Em Kuhn diferentemente de Popper, na maior parte do tempo do empreendimento científico é dedicado à ciência normal ou cumulativa e se dá de forma esporádica.

Frei: Messias, Mário Josué, Robson José, Paulo Henrique.

Síntese de “A epistemologia de Tomaz Kuhn”[1]



Síntese de “A epistemologia de Tomaz Kuhn”[1]
A obra de Tomas Kuhn e um marco importante no desenvolvimento da ciência com a obra a estrutura das revoluções científicas (1662). Kuhn faz no seu trabalho uma critica ao positivismo e a historiografia tradicional. Ela acredita que a ciência é antecedida por teorias e, portanto, não neutras.  Ele acredita que as ciências são desenvolvidas a partir de períodos de “ciência normal”, nos quais os pesquisadores aderem a um paradigma que é interrompido por revoluções científicas que é causada pelos casos extraordinários.
Paradigma é o termo mais importante na obra de Kuhn. Tal termo tem dois sentidos um geral e outro restrito. O primeiro designa uma série de compromissos que o pesquisador tem com a comunidade científica. A este sentido Kuhn aplicou a expressão “matriz disciplinar”. Seus principais componentes são: generalizações simbólicas: assemelham-se as leis da natureza; modelos particulares: são modelos ontológicos ou heurísticos que fornecem as metáforas e as analogias necessárias; Modelos compartilhados: são valores aos quais os cientistas aderem; exemplares: são a solução de problemas, ao quais tem o poder de acessar novos conhecimentos os quais não são propriamente encontrados pelos problemas, mas simplesmente, dados pelos problemas.
A ciência normal é a tentativa de encaixar o problema dentro dos limites preestabelecidos e relativamente inflexíveis fornecidos pelos paradigmas.  A ciência normal restringe drasticamente a visão do cientista para que o cientista desenvolva a sua capacidade de resolver os problemas levantados. Assim ao adquirir um paradigma, adquire um critério para descobri-lo.A ciência normal é concebida como dogmática e, por isso mesmo, diz Kuhn, é que a ciência pode avançar. Para Kuhn a ciência normal se divide em três tipos: determinação do fato significativo: com a existência de paradigmas fatos precisam de determinações mais precisas; harmonizações dos fatos com as teorias: esta atividade consiste da manipulação de teorias levando a predições que possam ser confrontadas diretamente com a experiência e do desenvolvimento de equipamentos para a verificação de predições teóricas; articulação da teoria: “consiste num trabalho empreendido para articular a teoria do paradigma, resolvendo algumas de suas ambiguidades e permitindo a solução de problemas até então não resolvidos”.
A grande revolução científica está na mudança de concepção  quantos o seu problema não pode ser identificados unicamente como anomalias mas sim como quebra cabeças que precisam serrem originariamente organizadas. E aqui está o papel da ciência normal segundo Kuhn a de fazer uma precisa integração entre a observação e a teoria. Quantos maiores forem à precisão tanto maior será a mudança de um paradigma.
Só surgiram novas teorias quando existirem período de inseguranças profissionais, e tais novas teorias surgem somente apos o fracasso de uma atividade normal, surgindo um a duas décadas depois desse fracasso.
Será uma revolução científica quando houve uma reconstrução das áreas de estudos apartir de novos princípios e nunca como um processo cumulativo obtido através de uma articulação do relho paradigma.
A incomensurabilidade de paradigmas dita por Kuhn está relacionada ao fato de que padrões científicos e definições são diferentes para cada paradigma.
Em resumo o desenvolvimento científico não pode ser comparado adesão de tijolos em uma construção não é através de uma serie de descobertas invenções individuais que se tem o conhecimento científico mais de acordo com o modelo Kuhniano a ciência se desenvolve apartir de uma ciência normal que desembocará em uma revolução científica.

José Clebson Marçal Pereira
João Raniery Elias da silva
Josué Laurindo da Silva 


[1] Thomas Samuel Kuhn (Cincinnati, 18 de Julho 1922 — Cambridge, 17 de Junho 1996) foi um físico e filósofo da ciência estadunidense. Seu trabalho incidiu sobre história da ciência e filosofia da ciência, tornando-se um marco no estudo do processo que leva ao desenvolvimento científico.
Biografia
Thomas Kuhn nasceu em 18 de Julho de 1922, em Cincinnati, em Ohio, Estados Unidos. Formou-se em física (summa cum laude) em 1943, pela Universidade de Harvard. Recebeu desta mesma instituição o grau de Mestre em 1946 e o grau de Doutor em 1949, ambos na área de Física. Após ter concluído o doutorado, Kuhn tornou-se professor em Harvard. Lecionou uma disciplina de Ciências para alunos de Ciências Humanas. A estrutura desta disciplina baseava-se nos casos mais famosos da história da ciência, pelo que Kuhn foi obrigado a familiarizar-se com este tema. Este fato foi determinante para o desenvolvimento da sua obra. Em 1956 Kuhn foi leccionar História da ciência na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Tornou-se professor efectivo desta instituição em 1961. Em 1964 tomou a posição de Professor M. Taylor Pyne de Filosofia e História das Ciências, na Universidade de Princeton. Em 1971 Kuhn foi leccionar para o MIT, onde permaneceu até terminar a sua carreira acadêmica. Kuhn morreu em 17 de Junho de 1996, vítima de cancro (câncer).
Obra
Seu primeiro livro foi A Revolução Copernicana, publicado em 1957. Mas foi em 1962, com a publicação do livro Estrutura das Revoluções Científicas que Kuhn se tornou conhecido não mais como um físico, mas como um intelectual voltado para a história e a filosofia da ciencia. Em uma entrevista cedida à filosofa italiana Giovanna Borradori, no ano de 1965, em Londres, Thomas Kuhn explica sinteticamente seu percurso acadêmico até a construção deste texto, que se tornaria o referencial de discussão entre os filósofos da ciência. Sua carreira inicia-se como físico e, até a defesa de sua tese de doutorado, tinha tido poucos contatos com a filosofia. Sua justificativa para este pouco contato com a filosofia é fundada principalmente na ocorrência da Segunda Guerra Mundial, pois havia, segundo ele, uma enorme pressão para empreender carreiras científicas e um grande desprezo em relação às matérias humanísticas. Todavia, foi na Universidade de Harvard, quando teve que preparar um curso de ciências para não cientistas, que pela primeira vez, ele utilizou exemplos históricos de progressos científicos. Dessa experiência, Kuhn percebeu que a o desenvolvimento da ciência, numa perspectiva histórica, era muito diferente da apresentada nos textos de Física ou mesmo de Filosofia da Ciência. O livro Estrutura das Revoluções Científicas foi, então, um texto produzido e direcionado a um público filosófico, mesmo não sendo um livro de filosofia. Isso porque, conforme ele mesmo dizia, Kuhn criticava o positivismo sem conhecê-lo em profundidade, assim como não se sentia influenciado pelo pragmatismo de William James e John Dewey. A repercussão do seu livro foi tão grande na comunidade acadêmica que, já na segunda edição, em 1970, Kuhn apresentou um pós-escrito, no qual seus pontos de vista são, em alguma medida, refinados e modificados. E, para responder às acusações de irracionalismo, ele escreve, em 1974, um ensaio intitulado Reconsiderando os paradigmas e, logo depois, desenvolve com maior profundidade as descontinuidades históricas, que foram apresentadas em outro livro chamado Teoria do corpo negro e descontinuidade quântica - 1894-1912, publicado em 1979. A polêmica sobre a obra de Thomas Kuhn gira em torno da noção de paradigma científico e da "incomensurabilidade" entre os paradigmas. Ken Wilber defende (em seu livro A União da Alma e dos Sentidos) que a idéia de paradigmas proposta por Kuhn tem sido apropriada e abusada por grupos e indivíduos que tentam fazê-la parecer uma declaração de que a ciência é arbitrária. Entretanto, a obra de Kuhn abriu espaço pra toda uma nova abordagem de estudos chamados Social Studies of Science(estudos sociais da ciência) que desembocou no Programa Forte da Sociologia. Especula-se que Kuhn tenha se apropriado de muitas das idéias de Ludwick Fleck (como paradigma, revolução paradigmática, ciência normal, anomalias, etc), médico polonês que pouco escreveu sobre história da ciência e que permaneceu e permanece desconhecido de muitos.
O pensamento de Kuhn
Thomas S. Kuhn ocupou-se principalmente do estudo da história da ciência, no qual mostra um contraste entre duas concepções da ciência: Por um lado, a ciência é entendida como uma atividade completamente racional e controlada. (PERSPECTIVA FORMALISTA). Em outro lado, a ciência é entendida como uma atividade concreta que se dá ao longo do tempo e que em cada época histórica apresenta peculiaridades e características próprias. (PERSPECTIVA HISTORICISTA). Este contraste emerge na obra A Estrutura das Revoluções Científicas, e ocasionou o chamado giro histórico-sociológico da ciência, uma revolução na reflexão acerca da ciência ao considerar próprios da ciência os aspectos históricos e sociológicos que rodeiam a atividade científica, e não só os lógicos e empíricos, como defendia o modelo formalista, o qual estava a ser desafiado pelo enfoque historicista de Kuhn.
Enfoque historicista
Segundo o enfoque historicista de Kuhn, a ciência desenvolve-se segundo determinadas fases: Estabelecimento de um paradigma. Ciência normal. Crise. Ciência Extraordinária. Revolução científica. Estabelecimento de um novo paradigma.
        A noção de paradigma resulta fundamental neste enfoque historicista e não é mais que uma macroteoria, um marco ou perspectiva que se aceita de forma geral por toda a comunidade científica (conjunto de cientistas que compartilham um mesmo paradigma e realizam a mesma atividade científica) e a partir do qual se realiza a actividade científica, cujo objectivo é esclarecer as possíveis falhas do paradigma ou extrair todas as suas consequências.
        A ciência normal é o período durante o qual se desenvolve uma atividade científica baseada num paradigma. Esta fase ocupa a maior parte da comunidade científica, consistindo em trabalhar para mostrar ou pôr a prova a solidez do paradigma no qual se baseia.
        Porém, em determinadas ocasiões, o paradigma não é capaz de resolver todos os problemas, que podem persistir ao longo de anos ou séculos inclusive, e neste caso o paradigma gradualmente é posto em cheque, e começa-se a considerar se é o marco mais adequado para a resolução de problemas ou se deve ser abandonado. Então é quando se estabelece uma crise,
        Ciência extraordinária, o tempo em que se criam novos paradigmas que competem entre si tentando impor-se como o enfoque mais adequado.
        Produz uma revolução científica quando um dos novos paradigmas substitui ao paradigma tradicional. A cada revolução o ciclo inicia de novo e o paradigma que foi instaurado dá origem a um novo processo de ciência normal.
Desta maneira, o enfoque historicista dá importância a fatores subjetivos que anteriormente foram passados por alto na hora de explicar o processo de investigação científica. Kuhn mostra que a ciência não é só um contraste entre teorias e realidade, senão que há diálogo, debate, tensões e até lutas entre os defensores de distintos paradigmas. E é precisamente nesse debate ou luta onde se demostra que os cientistas não são só absolutamente racionais, não podem ser objetivos, pois nem a eles é possível afastar-se de todos os paradigmas e compará-los de forma objetiva, senão que sempre estão imersos em um paradigma e interpretam o mundo conforme o mesmo. Isto demostra que na atividade científica influi tanto interesses científicos (ex: a aplicação prática de uma teoria), como subjetivos, como por exemplo, a existência de coletividades ou grupos sociais a favor ou contra uma teoria concreta, ou a existência de problemas éticos, de tal maneira que a atividade científica vê-se influenciada pelo contexto histórico-sociológico em que se desenvolve. Também é verdade que, epistemologicamente falando, Thomas Kuhn se guia por um paradigma para estudar a formação dos paradigmas!
Para Kuhn a ciência é subjectiva evolui de modo a aproximar-se da verdade. Esta aproximação é feita pela substituição de teorias, paradigmas que são segundo Karl Popper objectivamente melhores que a teoria ou paradigma anteriores, sendo assim a ciência segundo Popper objectiva. Mas Kuhn critica este ponto de vista e afirma que dois paradigmas são incomensuráveis, e tambem para um paradigma ser melhor que outro tinha de ser objectivamente melhor que o anterior mas isso não acontece pois os factores que levam a escolher um paradigma e desfavorecimento do anterior são factores subjectivos. Sendo assim a ciência não objectiva pois as escolhas que levam a evolução da ciência são meramente subjectivas.
Principais publicações
    A Função do Dogma na Investigação Científica. Thomas Kuhn, 1961; A estrutura das revoluções científicas. 7.ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2003; O caminho desde a estrutura. São Paulo: Editora UNESP, 2006; A tensão essencial. Lisboa: Edições 70, 1989; A revolução copernicana: a astronomia planetária no desenvolvimento do pensamento Ocidental. Lisboa: Edições 70, 1990.