domenica 23 aprile 2017

Nordeste, de Gilberto Freyre: um estudo de caso sobre ecologia humana


Fabrício Rodrigues dos Santos*

No estudo de caso realizado por Claudio Dionizio tem a preocupação de transmitir o aspecto ecológico presente na cultura da cana-de-açúcar, pretendendo explicar e levar o leitor a uma reflexão sobre tal situação apresentada. A situação apresentada surge no momento do auge da cultura, como também da decadência da cana-de-açúcar. Nesse contexto, analisa-se uma transição de estilo de sociedade, ou seja, da sociedade rural para a sociedade urbana. Dionizio mostra que Freyre, ao pensar nessa questão, faz uma análise com base em alguns componentes históricos e antropológicos, para poder entender o porquê dessa decadência, que afeta o homem e a sociedade, causando uma preocupação para com as condições desfavoráveis que atingem o próprio trabalhador rural da cana-de-açúcar. No tempo atual, quando se fala em ecologia, logo se pensa em conservação, o cuidado com o local em que vive, como também, o homem em relação com a natureza. Falando da agricultura intensiva e na questão ecológica, a questão do desenvolvimento da agricultura foi um dos fatores da intervenção do homem na natureza, pois começa o desmatamento, o descuido, sendo assim, nascem as propriedades privadas. Nesse contexto, aparece também uma agricultura passiva, imprudente, e insustentável, motivada pela devastação e queima da flora.
Segundo Claudio Dionizio, para Freyre, a cana-de-açúcar pode ser considerada na história da humanidade, a cultura agrícola mais importante, pois teve seu contributo no grande fenômeno na mobilidade humana, econômica, comercial e ecológica, ou seja, pelo fato de estar crescendo cada vez mais em quase toda parte das regiões. A cana além de possuir essa consideração, é uma das mais exigentes plantas, porém é nela que muitos homens encontram o sustento para os filhos e família. Em sua expansão, é importante frisar todo o processo que ela possuiu para se expandir:
Foi no Oriente que se descobriu o açúcar, tendo Papua Nova Guiné como berço. Os Árabes a fizeram chegar no Ocidente e foram os principais mensageiros de sua expansão. Os genoveses e venezianos forem encarregadas de seu comércio na Europa. Porém, foi nas ilhas onde ela encontrou um dos principais cuidadores: Creta, Sicília, Madeira, Açores, Canárias, Cabo Verde, S. Tomé, Porto Rico, Cuba, Jamaica.[1] (FREYRE apud DIONÍZIO. p, 87. Tradução nossa)
Portanto, até os dias atuais, a cana vem crescendo principalmente nas áreas rurais dos municípios. Essa exploração intensiva adentrou no maior fenômeno migratório em nível mundial, que foi a escravidão de milhões de africanos, para que pudessem ter mão de obra. Atos em si têm consequências, sendo assim, no Brasil, a cana-de-açúcar causou algumas sequelas ambientais. Pessoas importantes, como Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, entre outros, fizeram com que fosse introduzida a cultura da cana-de-açúcar, sobretudo, aproximando os homens mesmo nas diferenças, mas que fossem pessoas com os mesmos interesses, ou até mesmo, que tivessem a necessidade de ter o próprio sustento. “A cana como afirma Josué de Castro, é autofágica [...]” (FREYRE apud DIONÍZIO, p. 88), essa expressão é usada para explicar que ela por si própria tem sua substância, ou seja, se sustenta por si mesma, ocorrendo um processo muito rápido de crescimento e decadência, para que outras plantações possam ser feitas. Ao passar do tempo, ela foi adquirindo um grande avanço de produção, pois seu processo é fácil. Contudo, eis um grande problema, pois, para plantá-la, tem que demolir ou queimar a floresta, desencadeando diversos males, como poluição, crime ambiental, destruição do habitat, enfim, tristes realidades que são enfrentadas. No Brasil, uma vantagem foi que, pelo fato da mata atlântica ser de grande proporção, esse mal não conseguiu atacar por completo, porém, mais tarde, uma parte foi atingida pelas próprias queimadas. Logo após, a cultura da cana-de-açúcar foi valorizada na área dos canaviais, e a mata foi desprezada.  A grande demanda de produção fez com ela fosse de maneira um pouco exagerada, valorizada. No Brasil, especificamente do século XVIII, “cada quilo de açúcar, equivaleria a quinze quilos de madeira queimada, dando uma média anual de duzentos e dez mil toneladas (210.000)[2]” (FREYRE apud DIONÍZIO, p. 88. Tradução nossa), e podendo ver um grande absurdo que acontece por essa grande influência da cana sobre a vida do nordeste, contudo, esse número tão alto acabou que excitando uma espécie de usura econômica, e isso levou a um desenvolvimento desregulado dos canaviais nas terras brasileiras. Tal situação remete o pensamento de situações não tão distantes a nossa realidade pessoal, onde, se a pessoa chega em um povoado, logo “dá de cara” com um espaço de terras ocupadas de maneira imensa e absurda, com plantações da cana-de-açúcar, e tornando aquele solo estéril para outro tipo de plantação.
A relação de conflito entre a cana-de-açúcar e as variáveis do complexo ecológico é um tema tratado por Freyre, visando mostrar uma relação da cultura com as quatro variáveis do processo ecológico, a saber: a terra, a água, a mata e os animais. Já adentrando no conflito entre a cana e a terra, quando os portugueses chegaram no Brasil, logo se deu a confusão, pois deram início à substituição da floresta pelo cultivo da cana, sendo assim, teve que ocorrer a devastação, porque tinha a necessidade de terra, e também de lenhas para pôr na fornalha, permitindo que fique acesa. Lembrando que o século XIX, foi o período da decadência dos senhores de engenho do açúcar do Nordeste. A cana está ligada profundamente com a terra, contudo, tem a necessidade da água. Em alguns locais, há pequenos riachos ou lugares com água corrente, facilitando o solo ficar umedecido. Tendo em vista também a relação entre o rio e o homem. Dos rios saíam os alimentos dos pobres, mas também as iguarias dos senhores ricos. O grande problema está no momento em que as usinas de açúcar permitem que as águas usadas por eles, que já estão sujas, sejam despejadas nos próprios rios. Essa triste realidade poluente, faz com que os peixes sejam mortos, além do empobrecimento do solo. Contudo, o grupo social que são os ricos não está dando a mínima atenção, pois a produção crescente é o foco de cada um, esquecendo que os pobres são prejudicados, pois muitos usam da parte melhor do rio para a produção de peixes. No conflito entre a cana e a mata, é preciso lembrar que, quando o autor Freyre fala sobre a floresta nordestina ele especificamente trata da zona da mata, que é a parte onde encontra a zona do canavial. Um grande problema que foi enfrentado é que começaram a usar das árvores desmatadas, para fazer móveis, como também destruíram tudo que impedisse o progresso da plantação da cana-de-açúcar, e até hoje em várias regiões se vê essa prática das queimadas, desmatamentos. Faziam isso sem pensar nas consequências que enfrentariam. Outro conflito foi entre a cana e os animais, nesse período os animais foram perdendo seu habitat, pelo fato da ganância do homem em querer plantar em todo o território, a cana-de-açúcar, é uma realidade que se alastra em vários lugares, pois outras plantações são esquecidas e querem somente que a cana possa atingir a maior parte. Além de expulsarem os animais, outros serviram até mesmo de decoração, vendiam os papagaios, pois tinha a possibilidade de falar.
É necessário cuidar bem dos recursos naturais do lugar que habitamos, pois gerações futuras virão e vão desfrutar daquilo que estamos vivendo no presente. O correto desenvolvimento é aquele em que satisfaz as necessidades presentes sem transtornar as gerações futuras. Como em praticamente todos os ambientes existem alguns conflitos, contudo também existiram alguns no aspecto social, que foi o fato da deterioração ambiental, para satisfação dos senhores de engenho da cana-de-açúcar. Para um desenvolvimento são necessárias algumas medidas, pois ao passar do tempo observa-se que há uma tendência para o crescimento da cana nas regiões. Nesse processo surge novos investimentos, principalmente com máquinas substituindo o trabalho humano, para um maior lucro, mas não é lembrado que alguns fatores aparecem, como prejudicar o solo e, em outro aspecto, a não preocupação sobre o surgimento de futuras plantas, e até mesmo, as futuras espécies que estariam a viver naquele lugar. Dentre vários elementos para um bom diálogo entre a economia, ética e o ambiente, propõe- se alguns: - A conservação do solo e da água; o tratamento mais humano dos animais; a formação dos agricultores; programas educativos. Entre outros. Aproveitando esses elementos, conseguirá garantir um bom proveito econômico e o desenvolvimento saudável da produção sem partir para a forma agressiva, e acima de tudo, passaria a ter consciência e responsabilidade para a manutenção, os cuidados necessários.
Na parte conclusiva, vem focar no alerta sobre os problemas que o Nordeste brasileiro enfrenta com a cana-de-açúcar, ou seja, com uma produção mal feita e com interesses superiores. Diante das situações analisadas, vê-se que surge uma espécie de ganância sobre toda produção, querendo os lucros, e os pobres tornando-se escravos para que ter em o próprio sustento. Todavia, alguns dos que precisam acabam que virando monocultores, sendo influenciados pela sede de dinheiro. Por isso, dentro desse processo da cana-de-açúcar, houve um desenvolvimento, conquanto, ainda existem conflitos, pelo fato de esse processo passar muitas vezes do limite, prejudicando um progresso salutar.



[1] Fue el oriente que descubrío el azúcar, tendo la Papua Nueva Guinea como cuna. Los árabes la hicieron llegar em Occidente y fueran los principales mensajeros de su expansión. Los genoveses e venecianos se encargaran de su comercio em Europa. Pero fue em las islas, donde ella encontro uno de los principales invernadores: Creta, Sicilia, Madeira, Canárias, Cabo Verde, S. Tomé, Puerto Rico, Jamaica.
[2] Cada kilo de azúcar producido, equivaldría a quince quilos de madera quemada, dando uma media anual de doscientos y diez mil toneladas (210.000)

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